2013 pelos olhos de um Oráculo

Estou em silêncio há meses. Mas ei, vocês estão sem passar por aqui faz tempo também. Mas o ano está no fim e eu sou compelida a falar. Quero manter o meu silêncio, mas ao mesmo tempo, algo precisa ser dito sobre esse desastre político/jurídico/filosófico/e afins que foi 2013 – eu, aliás, quero que isso acabe logo.

Então, tive a ideia de trazer aqui um dos Oráculos – isto mesmo, uma das Vozes da Razão desta louca que vos fala. Assim, aos poucos, tomando vozes emprestadas, vou rompendo meu silêncio até estar a plenos pulmões.

Mas não prestem atenção no que digam. Ouçam o Oráculo. Já sabem: se o Oráculo quiser, se identifica. Sem censura, e sem anestesia, as sábias palavras.

Convocada fui a redigir algumas humildes e retrospectivas linhas sobre o ano da política nacional. Difícil tarefa, pois não sei se 2013 – a antessala da desgraça, o banco de espera para um ano eleitoral com uma Copa sediada no Brazheel no meio – merece ser lembrado.

Atemo-nos, portanto, apenas ao que se destacou, a começar pelo mais do mesmo. Com ano eleitoral e Fla-Flu PT-PSDB à vista, já temos um candidato à reeleição por parte de um partido. Do outro, apenas o pressentimento de que mais uma vez farão jus ao significado da palavra PARTIDO em latim deixando para escolher o candidato lá por… Junho, talvez. Até lá, brace yourselves: toneladas de piadas do pavê sobre “aspirar a carreira de Presidente” are coming.

E não adianta chiar. Ele avisou.
E não adianta chiar. Ele avisou.

Quanto ao PT, está em campanha desde 2003 e vai levar a Presidência mais uma vez. Antes que me xinguem: não sou petista, sou realista. E isso é uma retrospectiva, mas não sei controlar minha Mãe Dinah interna.

Ainda na seção dèja-vu, tivemos mais do circo do Mensalão, a novela que será repetida ad nauseam, como sempre, pela nossa oposição – aquela que dizem que existe – como se a dona Servalina (aquela que decide a eleição) estivesse preocupada com isso, se soubesse do que se trata. Tanta rima e nenhuma solução. Igualzinho a 2006.

Ironicamente, o maior fato político deste ano foi um esculacho ao pobre termo, e veio em dose massiva, tanto no sentido antropossociológico quanto físico. Nunca antes na história DESTEPAÍZ se viu uma onda de protestos como as do mês de junho. Mas não me refiro ao povo nas ruas, e sim a tanta gente reunida sem saber PELO QUÊ. Os idosos seres que viram o Diretas Já e o Fora Collor em priscas eras sabem do que estou falando: do povo que ia para a rua NO MÍNIMO sabendo o que estava fazendo lá e o que estava reivindicando. Desta vez, os maiores propósitos se dividiram entre postar foto no Instagram e aproveitar para renovar o estoque de calcinha na Marisa mais próxima sem pagar nada. Até suicidáveis lemingues ficariam com vergonha alheia daquela massa amorfa em transe. O gigante acordou para ir ao banheiro, soltou um traque que sacudiu a vizinhança e voltou a dormir.

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Na esfera do debate político, 2013 foi o ano em que nossos roqueiros cinquentões descobriram um filão de relativa popularidade e se agarraram a esta chance de sobrevida para tentar fugir do limbo. Relegados ao esquecimento, vagando sem rumo no deserto criativo, com a grana acabando e a disposição de salpicar de esterco tudo de bacana que um dia fizeram, nossos perseverantes anciões da música resolveram apelar para o mercado do polemismo de boteco reaça. A modinha se espalhou como catapora, e até a turma do stand-up resolveu incluir a espumante hidrofobia extremista-direitosa no seu repertório de piadas sofríveis. Só que nesse caso o humor é involuntário.

Como eu disse, é difícil fazer uma retrospectiva da política do Brasil quando se sabe que as coisas nessa área não mudam substancialmente desde a redemocratização. O que eu quero dizer com isso está maravilhosamente representado na foto abaixo, uma das melhores de 2013. Diante dessa visão do inferno, só nos resta esperar por alguma mudança no cenário ou no elenco. Tio Norberto Bobbio já falou que a política é um contraste entre ética individual e ética de grupo. Espero que não seja utópico demais almejar que um dia a maioria dos nossos políticos venha a ter uma coisa ou outra. Só sei que ainda não foi em 2013.

Somos amigos, amigos do peito, amigos de vocês... #sqn