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6 coisas que faço sendo mulher – e dane-se o ismo alheio

Não enxergo o mesmo mundo que a maioria. Eu nasci do avesso e não ligo para convenções sociais.

Esta é a época que combina comigo; o mundo se tocou que somos todos iguais e merecemos respeito na mesma proporção. E gente como Legião é esculachada por pensar de outra forma. Mas aí… Listas como esta aparecem.

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Licença, mas nunca deixei de fazer essas coisas “por causa dos outros”. Nunca preteri minha liberdade de ser pela concepção de limite alheio ao meu ser.

Eu sei que os ismos estão aí pra infernizar as vidas. Pensando positivo, resolvi uma lista de coisas que faço porque eu sou eu e apesar do ismo, a vida é minha; e você também deveria.

Andar sozinha à noite

Moro num trecho conhecido pelas ladeiras íngremes e desertas. Dizem que mulher que anda sozinha nesses lugares corre risco de ser estuprada.

Deixa contar duas coisas: primeira, homens também são estuprados. E segunda, nunca tive problemas. Vou pra Augusta andando e volto. Aquele trecho entre a Sumaré e a Luís Murat? Idem. Na ZL, não tive nem soluço andando pela Pacheco Chaves, ou pela Dianópolis, em horas inóspitas.

Pra não dizer que nunca passei aperto: sempre sou atacada por… Morcegos. E nenhum deles é o Christian Bale.

Isso nunca vai voar na sua cabeça. Nem na minha.

Isso nunca vai voar na sua cabeça. Nem na minha.

Interagir com pessoas desconhecidas

Dizem que mulher não deve falar com gente estranha na rua (principalmente moradores dela), pra evitar assédio.

Converso com todos os moradores de rua que vejo. O Sr. José é conhecido dos leitores desse blog. Ele, e outros do eixo Sé-Liberdade, nunca me faltaram com o respeito, nem no primeiro contato. Eles olham nos meus olhos quando conversamos e dão bronca nos advogadinhos-almofadinhas que passam medindo.

Não tenho medo das pessoas na rua. Fechar a cara me impede de descobrir histórias fantásticas – como a do Sr. José, ou a do Brian, o sul-africano fã de reciclagem que vive pela Liberdade. Não deixe o medo trucidar a sua solidariedade.

Reagir

Dizem que mulher que reage pode apanhar, ou coisa pior. Mas na maioria dos casos, a reação quebra as pernas do “macho”.

Nunca deixei as coisas passarem em branco. De pedreiragem a tentativa de assalto. Devo dizer que nunca vi um manolo dar uma tréplica, ou vir pra cima. Quando eu uso força neles, querem chamar a polícia (e o povo da SSO da estação Sé que o diga). O “medo da reação dos outros” faz com que você cale a sua reação? Então… Não. Se te chamarem de “gostosa” na obra: pode mandar pra $@$##@$#%#@$@. Pôs a mão em você sem permissão? Pode fechar a sua e apresentar pro nariz dele. Você não é sexo frágil.

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Sacanagens

Dizem que moça de família não faz e nem fala. Sinto desapontar: minha família é dessas que pode se considerar tradicional na sociedade paulistana. Eu não consigo NÃO falar palavrões. O efukt é um dos meus sites favoritos. E…

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Sim, eu reconheço este sofá e suas variações. Veja, não sou menos mulher ou menos respeitável por isso. 

Colocar o cabelo como eu quero

Dizem que se você é mulher, não pode usar rabo-de-cavalo na rua. É um jeito de te imobilizar. É o argumento do “vestido curto pede estupro”, com um toque capilar. Absurdo, né? Além disso, existem cursos de defesa pessoal que te ensinam a usar o rabicó como arma. Então… Pra quê o medo mesmo?

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Pirulitos, bananas e afins

Eu não gosto de pirulitos. Bananas fazem mal ao meu estômago. E evito comer andando por ser desastrada – um tropeço e lá se vai meu quitute. Mas se resolvo comer na rua, e se por acaso tenho uma banana ou um pirulito na mão: é isso que eu vou comer. Não vou passar vontade pelos outros. Mexeu comigo? Vou reagir. Simples assim.

Não deixo de viver a minha vida por conta dos outros, menos ainda pelos ismos. E você também não deveria. Se policiar pelo machismo é uma bobagem sem tamanho.

Se você leu aquela lista terrível e se identificou, por favor: desidentifique DJÁ. Precisamos parar de reclamar do que o ismo faz, e desfazer essa coisa toda.

Isso só vai acontecer quando entendermos que devemos viver a vida como queremos, e não como os outros querem que vivamos. Então, saiam dos casulos. O mundo muda quando a gente muda.

Faça o que você quiser de você mesma, sem medinhos. E dane-se o que o outro vai pensar.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.