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Argo, o filme de verdade

Os cinemas andam bem agitados por aqui. Seja pelos personagens épicos, como James Bond, ou pelo tão esperado fim da saga Crepúsculo, ir ao cinema está bem difícil neste mês. São muitas opções!

O que me chamou a atenção é que tem muita coisa “baseada em fatos reais”. Poucos filmes conseguem transmitir a dimensão de um evento histórico. Mas às vezes, os seres humanos conseguem ser fantásticos, e a mega produção fica desnecessária. A história é tão maluca que ninguém acredita que aconteceu.

Por isso, escolhi Argo para o feriado. Adoro uma boa história de espiões.

O filme é sensacional. É uma história impossível sobre o jogo da espionagem. O tipo de coisa que poucos – muito poucos – conseguem fazer. O enredo, em certos momentos, beira aos bastidores de uma história de Sherlock Holmes; é como se víssemos O Problema Final contado pelo Prof. Moriarty. Aliás, é como se as histórias de Sir Arthur Conan Doyle se misturassem às melhores conspirações já publicadas pela Marvel.

A reconstrução da época é impecável. Cenário, roupas, jeito de falar, e até imagem parecem ter pego carona na Delorean. Todo mundo que participou dessa belezinha está de parabéns – em especial, o tio Ben Affleck, que andava cheio de loser movies no currículo. O rapaz se superou. Ouso dizer que é o melhor filme de sua carreira como ator.

Como diretor? Acho que Affleck pode seguir os passos de outro ator-diretor fantástico: Clint Eastwood. E não, não estou puxando saco. Eu nem gosto do Ben Affleck, mas convenhamos que talento, quando existe, tem de ser reconhecido. O roteiro já era uma joia, claro. Chris Terrio tem uma mão boa para suspense fino: pra quem não reconhece, só uma amostra do que o rapaz já fez por aí.

Mas a mão de Ben Affleck na direção se faz presente o filme inteiro. O thriller mantém o espectador numa coleira bem curta. Não sei como, mas em algum momento da jornada, você se sente ali no meio, perdido. Seu próximo passo não está nas suas mãos, e tudo depende de quão boa sua poker face é. Pois é. Filme fantástico, elenco ótimo, direção excelente. Nota 10. Pra mim, é nota 20. Por quê? Pra quem não prestou atenção nas aulas de História, fica a dica. Argo é um dos retratos mais fiéis de um dos eventos mais malucos da História.

“Como é que é?”

O longa é uma dramatização de uma pegadinha que Canadá e Estados Unidos pregaram no Irã em 1979. O que você vê nestas duas horas aconteceu. De verdade.

Eu já sabia disso. Sou uma fã incorrigível do cinema-verdade. Mas confesso que fiquei surpresa com a qualidade do filme. Talvez porque esperava que o cinema americano fizesse o que faz de melhor: exagerar tudo. Mas não. Só contaram o que aconteceu. A simplicidade foi a chave pra fazer esse episódio épico da História se tornar um filme bárbaro. Só elogios.

Assistam, se puderem. Garanto que vale cada centavo do ingresso. Ou cada KB de conexão gasta com download. Enfim, não deixem de ver. Vale a pena.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.