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Atrasada na resenha: Invocação do Mal

Sexta-feira à noite. Tantas coisas bacanas pra ver, e você escolhe o quê mesmo? Ver um filme de terror. O que pode dar errado? Depende. Alguns filmes de terror valem alguns sustos, mas no fim a gente esquece tudo e vai dormir. Outros não são tão simples assim. 2013 não é exatamente o ano do terror no cinema – vide desastre chamado Mama, ô filme inútil – mas alguns exemplares do gênero estão bem interessantes.

The Conjuring, lançado no Brasil como “Invocação do Mal”, é dirigido por James Wan. Você pode se perguntar por que dou isso logo de cara. Respondo: lembra do Insidious? Não? Vou refrescar sua memória.

Lembrou? Oba. Então lembre que James Wan também criou esse ser aqui:

Pois é. Com esses predicados, o filme já está interessante. Vamos a ele. Ah sim: antes de continuar a ler este texto, estejam avisados.

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Pois bem. A primeira imagem já mostra que as próximas 2 horas não serão bolinho, e que o enredo bebe dos maiores clássicos de terror do cinema – tudo a serviço dos seus medos.

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É isso. Alguém contando uma história no fundo, mas você encara essa coisinha “linda” por um minuto inteiro. Lembraram se alguma coisa com isso? Pois eu lembrei.

Esse não é o único momento em que Poltergeist é lembrado. TVs mostrando estática, pessoas sendo puxadas pelas salas e outros momentos marcantes da trilogia de Spielberg são usados. James Wan adapta isso com outros elementos bem tensos de outros clássicos de terror numa história só dele… Ou não.

Logo depois do incrível caso da boneca assassina, uma bomba de efeito moral aparece em letras amarelas e garrafais: BASEADO EM FATOS REAIS. Mas a gente fala disso mais pra frente.

Depois da bomba, levados à vidinha de Ed e Lorraine Warren – e aqui tem espaço pra uma referência clássica do terror cômico: Ed Warren em seu pequeno santuário de horrores lembra o tio Peter Vincent. Mas é uma lembrança vaga, nem dura nada. Falando a verdade, os Warren lembram mais os Caça-Fantasmas… E daqui pra frente, parece um filme normal. Você começa a pensar que a coisa não tem mais graça, dá tédio e… Justamente quando você vai dizer “ah, que filme ruim”, Wan surpreende à moda Targaryen.

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Daqui pra frente (você saberá identificar o momento), você precisa lembrar de respirar, ok? As coisas ficam tensas. Mesmo. Costurados na história, temos todos os elementos clássicos do terror sobrenatural. De Sadako ao hotel de O Iluminado, nenhuma referência passa despercebida por fãs do gênero. A trilha sonora não fica devendo também, constrói cada flash de memória que se tem. O que realmente assusta é ver essas referências, perceber que o que você está vendo não tem nada a ver com o que você já viu, e depois lembrar que aquilo que vê aconteceu mesmo. Sabe a bomba de efeito moral? Então. Isso te segue durante o filme inteiro.

E no clímax, claro, temos o super showdown referente ao Exorcista. Não tem vômito verde, nem cabeças girando 360°, mas a possessão acaba mais tenebrosa que aquela de Linda Blair. E isso faz a fala de Ed Warren – a mesma do Padre Merrin – mais forte.

O filme acaba e parece que todos serão felizes para sempre… Ou não. Os créditos seguem mostrando imagens que o ser curioso viu duas horas antes, quando foi olhar os tais “fatos reais” no Google. É aí que você percebe que a bomba de efeito moral funcionou.

Coisas “baseadas em fatos reais” assustam bem mais que a ficção. Elas acontecem com qualquer um de nós, dadas certas circunstâncias. E depois de ver histórias tensas como essa, você se lembra do fator “qualquer um” e começa a ficar preocupado com a hipótese de ser escolhido na próxima. E dá-lhe armário trancado, porta fechada, cortinas bem colocadas, espelhos cobertos e facas bem guardadas, não é mesmo?

The Conjuring é um bom filme. Não é perfeito, mas a coisa foi muito bem montada e executada. Dou nota 8, com uma estrelinha. Recomendo – mas lembre-se: ver isso à noite é uma péssima ideia, mesmo que você tenha resistência a essas influências.

Gente, é isso. Na próxima a gente fala dos Instrumentos Mortais, que tal? Até lá o/

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.