Deixa dizer o que eu penso.

Foram tantos os eventos que se desenvolveram por estas paragens que, sempre que lia os jornais, ou passava pelos noticiários online, me sentia num rodízio de pizzas. Cada sabor mais denso e peculiar que o outro. Creio que você também sentiu a “delícia” de cada pedacinho esta semana. Então vamos servir mais uma fornada fresquinha. Vocês agüentam? Sempre. São todos brasileiros, e não desistem nunca.

Onze atos da comédia-não-tão-divina de Dante. A platéia agradece e aplaude de pé. Não é mesmo? Não se engane; não procure em outros as justificativas para seus erros. Povo é você, que ficou assistindo ao Show do Senado feliz em sua TV.

O povo ficou parado, enquanto os doutos parlamentares na terra de JK lhe passavam atestado de incapacidade. E o povo permaneceu inerte, rindo dos absurdos do portfólio da Twitess e da guerra “santa” da Record contra a Globo enquanto no picadeiro, outro espetáculo era montado: o polêmico encontro de Dilma Roussef, a candidata, e Lina Vieira, a ex-secretária da Receita Federal. Pois enquanto continuamos aqui, entorpecidos e dando audiência para tantas coisas mínimas, os pilares da nação vão ruindo, corroídos pelo cupim implacável da corrupção. E cá estamos, absortos em absolutamente NADA. Nós, que somos o único pesticida capaz de exterminar esta praga, o que fazemos? Damos de ombros e sintonizamos a TV na distração mais próxima.

Talvez você já esteja aborrecido com tantos ataques gratuitos. E talvez você tenha razão. Tantos coices, de graça. Como se você não lutasse. Como se não pagasse seus tributos – 5 meses do seu suor, todo ano. Como se não votasse – sempre no menos pior, porque anular não pode e você é obrigado a votar; isso quando não justifica. Você se informa, está sempre sabendo do que ocorre no país… E tudo isso, além de cuidar da sua própria vida, já é demais.

Eis o endereço  da minha revolta. Você crê que é só isso que lhe cabe enquanto cidadão. Você não conhece suas leis e não que faça muito para conhecê-las. Você prefere levantes a ações concretas.

Você diz que faz a sua parte. Tudo bem, aceito. Mas continuo dizendo que fazer a sua parte é pouco, quando você não sabe em que “fazer a sua parte” implica. Não é só votar; é acompanhar se o candidato eleito – sendo ele de sua escolha ou não, afinal de contas, quem governa o país tem poder sobre sua vida. O partido de situação é problema de todos – está cumprindo com suas obrigações, aquelas que chamamos promessas de campanha. É procurar saber onde exatamente aplicam os cinco meses do seu suor. É entender o que as suas leis fazem por vocês; pois elas são suas.

E não adianta dizer que foram seus pais ou avós. Você fez algo para se manifestar contra as leis em vigor? Porque meios para isso, você tem. Se você nada fez, você aceita estas leis e acredita que elas lhe representam bem. É ter o mínimo de consciência a respeito do que acontece em seu país, e isto NÃO implica em recitar todas as falas da Fátima Bernardes. É entender pelo menos um pouco de quão prejudicado você foi por conta de um empreguinho básico no Senado ao namorado da neta do vizinho do filho.

Eu não sei se é demais para pedir. Talvez eu já esteja demais, como a Twitess e o Danilo Gentili. Eles falam bobagens demais, e eu talvez fale coisas sérias demais. É muita coisa junta, que se acumula desde tempos imemoriais. E sobra para a geração de agora consertar essa demasia brasileira de deficiências. É nossa responsabilidade; quanto mais corremos, mais as luzes do picadeiro nos seguem e exibem nossos narizes vermelhos diante dos discursos dos ladrões Colloridos. Eu estou cansada de correr em círculos. E vocês?

Não há mais nada que eu possa dizer a respeito. Até a próxima. E não se chateie com as duras palavras, que são só a reação de alguém inconformado com este povo que ri diante da morte iminente por inanição.

Originalmente postado no Link Ninja em 19 de julho de 2009.