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Desperate Housewives – a última vez

No último domingo, foi ao ar (nos USA) o último episódio de Desperate Housewives. Após oito aninhos animando as telinhas, a série se despediu do público.

Pra quem caiu no planeta Terra agora e não sabe do que falo: é aquela novelona americana criada por Marc Cherry e que estreou em 2004, com Marcia Cross, Felicity Huffman, Eva Longoria (Parker) e Teri Hatcher como protagonistas, com narração da amiga morta Brenda Strong (quase uma especialista em fazer personagens do Além, já que também fez a Julia Brown, esposa morta do Dr. Andy Brown, de Everwood. Na mesma época, inclusive) e que falava das vidinhas “mais ou menos” da mulherada dos subúrbios americanos. Desperate Housewives é praticamente a mãe de Suburgatory.

Pois bem. Falamos do fim de uma era. Não só por Desperate Housewives, mas porque vemos um ciclo inteiro terminar na TV americana. Este é o segundo show de sua leva a encerrar atividades este ano. Caso você não saiba, leitor, Desperate Housewives estreou com One Tree Hill, House, Two and a Half Men e The O.C. – apenas para nomear algumas das séries renomadas das temporadas 2003-2004. Faz tempo, não? Coincidentemente (ou não), a maior parte dos shows desta leva ou já morreu, ou está morrendo agora (ou sobrevive sem o Charlie Sheen protagonista).

MARCIA CROSS, VANESSA WILLIAMS, FELICITY HUFFMAN, EVA LONGORIA, TERI HATCHER

É o fim de uma era, pra quem corria toda quinta-feira (agora é domingo) para a TV a cabo e assistia pela Sony, ou simplesmente não dormia antes do IsLife liberar o episódio novo na madrugada de domingo para segunda. Para os mais dramáticos, é a perda de alguém – ou algo – muito querido. É verdade: passamos quase uma década com estas mulheres. Rindo das loucuras da Gaby, querendo ser a Lynette (chique e fina até careca), morrendo de vergonha da Susan e tomando um chá de Bree todo dia, antes de ir à luta (quem nunca quis a dignidade de Bree Van de Kamp?). Pois é. A jornada terminou no domingo. E terminou muito bem.

Desperate Housewives nunca passou por altos e baixos dramáticos na audiência. O público sempre foi firme, e os solavancos pequenos (se compararmos com as quedas drásticas de audiência de One Tree Hill e Two and a Half Men, Desperate Housewives sempre se manteve bem). Talvez isso sirva de consolo para os fãs. A série se encerrou a seu tempo, em seus termos, sem ultimatos da emissora ou necessidade de campanhas desesperadas de fãs para salvá-la. Foi uma boa jornada. E fiel às raízes até o fim – o último episódio, de certa forma, parecia o primeiro: cheio de possibilidades.

Há quem diga que só finais felizes foram mostrados. Discordo. Pra mim, Desperate Housewives não terminou feliz, só abriu novas portas. As personagens não deixaram Wisteria Lane, apenas ampliaram seus horizontes. E para cada saga terminada, outra pode ter começado. Talvez, em alguns anos, possamos falar de um especial na TV, com Gaby, Lynette, Susan e Bree juntas novamente, sob a batuta sobrenatural de Mary Alice. Por que não? Se podemos sonhar com uma reunião de Friends, certamente podemos desejar uma reunião de Desperate Housewives.

Então, não devemos dizer adeus às nossas bravas mulheres suburbanas. Vamos dizer “até logo”. Não é uma despedida. Apenas outra jornada, da qual (ainda) não fazemos parte.  Mas quem sabe, outro dia?

Lekkerding 236 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.