Seja sua própria fonte

Justamente quando temos tantas oportunidades de criar e trazer coisas novas, “reciclamos” algo existente, polimos um pouco e mandamos ao mundo. E todo mundo gosta, em todas as tribos. “Reciclar” é o novo preto.

É bacana colaborar com a natureza e “reciclar”. Mas eu gostaria de saber o que o material “reciclado” tem a dizer sobre isso. Como será que o original reage quando vê seu pedaço “reciclado” tomando outros rumos? E como será que o original se sente ao perceber que a reciclagem é fake?

Numa época que nos incentiva a criar, ser autênticos e expor novidades, as pessoas continuam a acreditar que a melhor receita para o sucesso é a “reciclagem”.

E não estou falando de processar coisas usadas e transformá-las em coisas diferentes e com muita utilidade para o mundo. Falo de pegar algo que não te pertence, mudar algumas vírgulas – ou cores, ou acordes, ou códigos, ou tamanho – e mostrar ao mundo como se fosse seu para obter reconhecimento e “lucros” por isso.

Esta é a minha definição da palavra plágio, exposta nos dicionários – e a quem possa interessar, nas normas brasileiras que disciplinam direitos autorais. E por mais que se produza todo tipo de alerta, protesto ou estudo contra essa prática, ela continua por aí, feito praga. Provavelmente, o vírus HIV deva perguntar ao plágio como ele consegue se propagar de forma tão rápida, eficiente e silenciosa. Seria útil a ele.

Não que os piratas da WebCaribe respeitem ou temam os selos Creative Commons que usamos. Nessas horas, a única defesa existente é o lema do escoteiro: sempre alerta.

Isso é triste, principalmente pra quem gosta dessa maluquice de blogar. A gente quebra a cabeça por horas, às vezes dias, pra fazer um texto gostoso de ler, e tudo isso sem receber um centavo. O prazer é nosso. O custo também.

E todo esse esforço cai por terra quando alguém acessa um link nosso, copia nosso texto, cola em outro canto e sai todo orgulhoso compartilhando no Twitter. “Ora vejam, meu super post novo”.  A parte mais humilhante? Quando você, pessoa autora que tanto trabalhou no texto, é citada no post-cópia como “fonte”. Comparação sentimental: quase o mesmo que chamar a mãe da criança de tutora, dona da creche ou similares.

Agora, nós, pessoas autoras e “escrevedoras” estamos alertas. A minha parte está feita. Protejo minhas crias textuais, criei regras para utilização de trechos e tenho uma ótima guarnição contra quem tentar me copiar. Apesar de toda a segurança, eu sei que pode acontecer.

É aqui que fica o apelo. Seja inteligente. Não copie; crie. Só os idiotas copiam; eles colam, saem da escola, e vão pedir esmola nos semáforos. Porque são idiotas. Não seja assim; seja inteligente. Crie o que é seu, e mereça cada centavo e retweet creditado. Seja inteligente.

Com tantos posts sobre plágio, o meu talvez seja só mais um. E talvez alguém ache que eu tirei isso de algum blog obscuro por aí, ou whatever. Posso ser mais uma. Mas eu faço meus próprios textos “ordinários”.