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Dividir e conquistar – ou não

Hey there, Delilahs! Voltei. Vamos à polêmica da semana – ou não, porque cai na categoria “coisas que costumamos ignorar solenemente porque o aniversário da Britney Spears é mais importante”.

A divisão de um estado é sempre problemática. Não se acomode na poltrona achando que não tem nada com isso. Não é só o Pará que muda: é o país inteiro.

Muda a educação, pra começar: esqueçam os 26 estados. Se o ENEM já é a Casa da Mãe Joana assim, imaginem o que não será com 28 estados. Muda a carga tributária – e aqui, não há como prever o impacto do Leão. Muda a estrutura parlamentar – porque teremos mais deputados e senadores ocupando cadeiras em Brasília para… O que eles fazem lá mesmo? Ah sim, nada.

Talvez os gráficos de violência urbana também mudem (mas que os paulistas e cariocas não se preocupem, continuarão reinando absolutos nesta seara). Se continuarmos especulando, é capaz de mudarmos a resposta ao Guia do Mochileiro das Galáxias.

O que me traz ao próximo tópico. Todo mundo está opinando, defendendo, atacando, rindo, chorando, dando tapa na cara… Mas tem alguém aí SABENDO de alguma coisa?

Convenhamos: a tradição dos “estados de baixo” é ignorar completamente o que acontece nos “estados de cima”. O separatismo cultural aqui é intrínseco como preconceito racial e homofobia – e tão imbecil quanto. Mas nesse angu, ninguém quer mexer. E levamos nossas vidinhas nessa: a Amazônia é a mítica selva lá do fundo, o Acre não existe e do Pará, só a castanha. Certo?

Errado.

O Pará é um estado gigantesco, prestes a parir três estados medianos. E você, o que sabe a respeito? Já sei: viu a Fafá de Belém chorando e já se convenceu de que ninguém deve separar nada. Fatos? Pra quê? Ver a Fafá chorando foi o suficiente. Ou talvez você prefira a versão Adocica da coisa, com Beto Barbosa e seu interior mais próximo das grandes cidades. É claro: você ouviu o Ganso falando e pensando no estado todo, em cima do penacho do Neymar. Não precisa de mais nada, você já está sabido. Certo?

Errado.

Sejamos sinceros. Não sabemos quais os prós e contras de fatiar estados do Brasil. O Pará é só a ponta do iceberg. Existem outros querendo divórcio. Outros tantos já cortaram relações e foram viver a vida, todos sabem (pelo menos os que REALMENTE estudaram história do Brasil). Já cogitaram divórcio recente em São Paulo, só avisando. Não sabemos por que deveríamos apoiar (ou não) esses movimentos. Não sabemos sequer QUEM começa essas coisas – basta olhar o Pará: percebam que as campanhas publicitárias estão agressivas do lado perdedor. A TV diz uma coisa. A população diz outra bem diferente.

Sejamos mais sinceros: no quesito território, temos o olho maior que a barriga, e a atual configuração brasileira pra gerir tudo isso NÃO funciona. Precisamos pensar em maneiras de deixar nosso espaço melhor e mais eficiente pra todos que aqui habitam. Árvores, onças, sucuris e humanos, dentre outros.

O Pará às portas do divórcio, no auge da era da chamada Sociedade de Informação, é um grito de alerta. Isso é problema seu. E meu também. Porque no fim das contas, a gestão do país sai do bolso de todos nós. O Eike Batista não paga metade do que você paga em tributos – ok, ele sofre duros golpes em multas, mas ainda assim, no fim do dia nenhuma delas dói pra ele. Mas vai doer pra todos nós recolher os caquinhos dessa empreitada, se for um fracasso. Também vai doer bastante ter torcido o nariz e não poder aproveitar, se for um sucesso.

Mas isso, só saberemos tendo os fatos. Repetindo: Fafá de Belém chorando e Beto Barbosa dançando lambada NÃO são fatos. O especial do UOL sobre a divisão, menos. Os breves comentários da Fátima Bernardes antes de seu último boa noite no Jornal Nacional também não contam.

Deixo vocês com estudos de viabilidade feitos pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo IDESP – Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará. Sem preguiça: leiam, entendam de onde isso vem e pra onde pode ir. Mais importante: percebam que está nas mãos de vocês a melhora – ou piora – da coisa toda.

Ok, já que não resisto. Minha opinião: alguém se lembra da PEC do Clô, pra cortar o número de deputados e senadores pela metade? Pois é, sou fiel seguidora dessa PEC. E tudo que sugere aumentar o número de parlamentares, direta ou indiretamente, me deixa iracunda e nauseabunda. Mais estados? Mais vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores – e sem lembrar o corpo administrativo da coisa. Prefeitos, secretários, superintendentes… Eu sinceramente dispenso. Antes de aumentar a quantidade, vamos pensar na qualidade (péssima) do que está aí.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

  • rafael

    Realmente as campanhas deixaram muito a desejar, assim como todas as propagandas políticas que estamos acostumados, que nunca mostram a verdade e só tentam impressionar as pessoas. As pessoas devem mesmo buscar se informar com estudos sérios e debates com especialistas.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.