Fazendo as contas: quem paga os danos?

O Teatro Municipal foi todo depredado. As reformas, que custaram R$28 milhões, acabaram de ser jogadas no lixo. Teremos que pagar tudo outra vez.

Todas as janelas quebradas, paredes pichadas e coisas queimadas são uma despesa. Os caminhões de lixo e os garis passando 4, 5 vezes pelo mesmo lugar pra (tentar) recolher a bagunça custam caro. Tudo que é posto na rua pra desfazer a caca feita sai dos cofres públicos – e tudo isso, diariamente, ultrapassa bastante o forro que eles exigem para o transporte público. Eu não quero fazer o cálculo disso que citei. O que está na minha cabeça agora, doendo, são os 28 milhões de reais gastos pra preservar o Teatro Municipal, e que foram jogados no lixo em alguns minutos.

Gasolina do carro, motorista, garis, material de limpeza... Dinheiro que não seria gasto se os manifestantes usassem a cabeça.
Gasolina do carro, motorista, garis, material de limpeza… Dinheiro que não seria gasto se os manifestantes usassem a cabeça.

A Prefeitura e o Estado terão de pagar por tudo isso. São gastos que ninguém esperava ter, e para os quais não há contingência. Alguma coisa terá de sofrer no seu cotidiano, pela irresponsabilidade alheia. O dinheiro vai sair de algum lugar. De onde? Da escola que seu filho frequenta, talvez. Talvez daquele posto de saúde que você frequenta. Amanhã, ele pode estar fechado. Afinal de contas, alguém tem que pagar o pato das crianças do Passe Livre.

Não adianta dizer que “ninguém no movimento apoia isso”. Querendo vocês ou não, essas agressões partem de gente que acompanha esse movimento, e se sente legitimada, por estes ideais pregados, a praticar tudo isso. O Movimento Passe Livre levou esses seres pra rua, apesar de todo o bom senso do mundo gritando o contrário. A responsabilidade é deles, por tudo que está sendo danificado – e que será cobrado de você e de mim depois. Eles simplesmente não assumem a responsabilidade; preferem dizer que é “culpa da intransigência do prefeito”.

Não é problema dela. Hm.
Não é problema dela. Hm.

No Roda Viva, disseram que não é problema do Movimento apontar custos. Quero saber se é problema desse movimento causar custos. E pagar por eles. Nós estamos perdendo dinheiro todo santo dia com toda essa agressividade. Mais uma semana disso, e acho que a Copa fica até barata, perto do que vamos todos pagar em consertos desnecessários. 190 milhões de brasileiros, distribuídos em seus cantinhos, vão ser obrigados a pagar a conta de 300 mil “bonitinhos” que não querem entender a vida como ela é. Me expliquem em que mundo é “luta” você jogar a conta e a responsabilidade do que você faz nos outros e ainda sair com “eles vieram com a gente, mas não são da nossa turma, foram vocês que mandaram”. Poupem meus neurônios. Aproveitem poupem meu bolso e saquem aí o cheque de 28 milhões.

Quero saber se existe alguma gota de responsabilidade nessas pessoas, que dão ultimatos em entrevistas coletivas como sequestradores chantageando vítimas. A tarifa de ônibus é o resgate da minha cidade, é isso? Eles exigem de uma administração já quebrada um custeio sobrenatural, fazem mais despesas e depois dizem que “não é problema deles”. A Prefeitura que se vire nos 30. E nós também.

Tenho horror a politicagens petistas e psdbistas. Mas dessa vez, sou favorável a postura tomada pela administração. Eu espero que Fernando Haddad não retroceda. Espero que ele não negocie. A Prefeitura não é intransigente: ela cumpre a lei (pelo menos nesse quesito). A posição dele é fria e objetiva: não tem dinheiro, tem trocentos milhões de pessoas pra prover e não há como atender 300 mil “bonitinhos”. Intransigentes são os que gastam, dia após dia, dinheiro que não lhes pertence. R$28 milhões, gente. R$28 milhões, atirados pela janela, por causa de R$3,20. Não é por 20 centavos? Então, esclareçam por que estão me roubando desse jeito. Eu juro que não estou entendendo. O mensalão me faz mais sentido que isso; é o tamanho do absurdo.