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Legião de Machismos

Sábado passado foi Dia Internacional da Mulher. Todo mundo deu flores, exaltou a “feminilidade”, lutou por direitos, foi lindo. Até a Globo mandou recadinho.
Que maravilha. Mas nem tudo é 8 de março. E exatos sete dias depois, já voltamos à palhaçada de costume. E por essa palhaçada, vocês ganham – em detrimento dos meus estudos para a OAB, de textos para o Hipnoseries e de um lindo projeto (a ser anunciado em breve) com o Higor de Azevedo – um Panteão dos Parvos.

A estrela de hoje é Legião. Porque são muitos por aí com esse pensamento abissal. Devo avisar que o texto será terrivelmente longo. Vocês sabem como funcionam os Panteões: discussão integral aqui exposta, com alguns comentários tecidos. Nomes não são identificados (mas se você acompanhou a discussão na íntegra, sabe quem deu voz a Legião). E não me responsabilizo pelas cataratas, pela revolta diante da leitura ou qualquer coisa terrível (ou não) que resulte disso aqui.

Cenário: dona Borboletando resolveu expressar o asco diante da notícia do grupo de encoxadores do transporte público (não tive o prazer de encontrar e espancar nenhum desses, desculpem). Claro que a mulherada veio em peso declarar a solidariedade no asco. Convenhamos: isto é ridículo. Estamos em 2014, Darwin já deveria ter alcançado os seres humanos e ensinado que não é divertido invadir espaço individual alheio.

Eis que Legião aparece. Peguem pipoca, ou lencinhos, ou travesseiros para acompanhar o horror.

Legião: eu já presenciei um vida loka encoxando na cara larga uma menininha aí da vida e ela nem ligou, desculpe as feministas de plantão mas existe consenso sim senhor e não é pouco não. São exatamente estas da vida que encorajam esses sexualmente frustrados a fazer isso.

Borboletando: Legião SÉRIO MESMO QUE VOCÊ ACHA ISSO? SÉRIO MESMO QUE VOCÊ ACHA QUE PRECISA SER FEMINISTA PARA DEFENDER O DIREITO E O RESPEITO DO OUTRO? SÉRIO MESMO QUE VOCÊ ACHA QUE EXISTE CONSENSO?

Infelizmente muitas (eu disse muitas!) mulheres não reagem quando são assediadas não porque gostam, e sim porque tem medo ou ficam constrangidas com a situação e não sabem como reagir. Uma minoria, praticamente nula, pode até gostar, mas uma maioria esmagadora abomina. Assim como as cantadas na rua. Aqui não é só uma questão de quem cala consente, mas de medo e de constrangimento.

NINGUÉM tem o direito de invadir o espaço e a intimidade do outro. Todo mundo tem o direito de percorrer seu caminho, seja na rua ou no transporte público, sem ser incomodado. Não importa a roupa que ela esteja usando e nem quem ela é, o que faz da vida. Eu, “a menina aí da vida”, uma senhora que poderia ser minha mãe ou a sua. Não importa, mesmo.

“Encoxar” uma pessoa sem o consentimento dela é assédio sexual e não deixa de ser uma forma de estupro.

Aproveito para deixar esse link pra você, para você ver que não são só feministas, mas mulheres da vida real que não gostam de qualquer tipo de abordagem estúpida: http://thinkolga.com/chega-de-fiu-fiu/

Ok, sou obrigada a corrigir a dona Borboletando. Assédio sexual, isso não é – para configurar assédio, precisa ter um vínculo de emprego, ou qualquer coisa que garanta que o ser assediador possui algum poder de mando em cima da pessoa. Estupro, também não é. Sabe o que é? Violação sexual mediante fraude. Artigo 215 do Código Penal. Essas apalpações no transporte público configuram prática de ato libidinoso usando meio que dificulta a livre manifestação de vontade da vítima – a pessoa encoxada num vagão lotado não tem como se mexer, como tirar o ser de perto. Sem contar o mega constrangimento de ter que fazer isso. Esse artigo, inclusive, foi incluído no Código exatamente por essas palhaçadas no transporte (e pela modinha do “boa noite Cinderella”). Se você foi encoxada no metrô, pode ir até a delegacia registrar a ocorrência com a violação sexual mediante fraude. Falar em estupro, acho que não dá.

Legião: deixa eu ver se entendi, você está no ônibus lotado, o cara fica intencionado abusando de você e vc fica… Constrangida e não reage? Desculpe mas não reage porque não quer.

Pera… QUÊ? Quer dizer que a mulherada desarmada não reage ao brucutu assediador não por medo de que ele possa fazer algo ainda pior, mas por que tá achando legal, então deixa aí?

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Gente.

Minha esposa pega ônibus e já falei muitas vezes pra ela: você sabe muito bem a diferença entre um assédio sexual e um toque não intencionado, se alguém te abusar (como já aconteceu com ela) pede pro cara chegar longe ou se distancie dele, e se ele continuar ou dizer ameaças dentro do ônibus comece a falar alto e se continuar a ameaçar me ligue.

Esse ser obviamente nunca entrou em qualquer ônibus destinado ao Terminal Parque Dom Pedro às 6 da tarde. Porque né? Pra ele, todo ônibus é vazio, dá pra sair andando pelo corredor com tapete vermelho e etc.

O constrangimento pode até existir mas se vc não dizer nada, não fizer nada, no mínimo vai sair do ônibus ou do metrô com a roupa gozada. Ta invadindo o espaço? Tome providências, se vc se constrangeu e ficou em silêncio, vc negligência do mesmo jeito do que ser assediada por consenso.

Mulher: É lógico que uma resposta como essa acima só poderia vir de um homem. Ou então, de uma mulher machista. Só falta dizer que “pediu pra ser estuprada porque tava de saia curta”. Pavor.

Legião: Relacionado ao site, compreendo que é uma ação contra cultural do Brasil que endeusou a bunda e permite criar a imagem que só tem vagabunda no Brasil como já percebi que é visto por europeus principalmente e por algum motivo adoram viajar pro nordeste. Legal muito legal mesmo. Espero que vá pra frente

Pera… QUÊ? 2

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Se a minha bunda é grande, é claro que eu quero ser assediada, porque a culpa é das pessoas que acham as bundas bonitas? Então se minha bunda é grande, eu sou vagabunda? Meus amigos estrangeiros discordam. Solenemente.

Mulher: Não se trata só de ter coragem e atitude. Se trata de humilhação. Muitas vezes o sentimento de constrangimento é tão grande, tão voraz, que a reação é de encolhimento e insignificância. É como se muitas vezes você entrasse em choque diante da vergonha da violência.

Legião, nem sempre é simples levantar a voz contra um homem fdp que nitidamente está se sarrando na sua bunda. Ou denunciar um marido espancador, um estuprador… Há muitos tons entre o preto e o branco, a vida para nós mulheres, infelizmente, não é tão fácil quanto muitos homens pensam.

Borboletando: Legião vou resumir: o problema não é a mulher, não é a bunda, não é a roupa curta, não é o fato de ser sensual. O problema é a cultura machista que bota a mulher como um objeto para ser observado e usado. Muitas mulheres se sentem CULPADAS por serem assediadas, por apanharem dos companheiros. Nem toda mulher foi criada para saber que o certo é ela se defender e se impor.

Elas NÃO ESTÃO ERRADAS. O que está errado é a cultura de que o homem pode tudo e a mulher não.

E não, isso não é feminismo. É só um direito de que toda mulher e ser humano deveria ter: ser respeitado, independente do seu sexo, religião, opção sexual etc. Vou resumir de novo pra ficar claro: o errado da história não é a mulher que tá no busão e levou uma encoxada e sim o cara que cresceu nessa cultura machista e acha que pode ir lá encoxar a mulher só porque ela é “gostosa”.

Legião: Meninas vejam bem, relacionado a minha esposa, ela também não fazia nada, após conhecer-nos eu estimulei ela a dar uns arrebentos quando o fato acontecer, o estimulo tem que vir de algum lugar, se vocês abraçam uma causa como o apresentado no site descrito pela Borboletando, tem que abraçar também a questão de ser abusada e enfrentar a situação.

Lendo os comentários pude perceber que o sentimento que vocês alegam ter é semelhante até mesmo a um estupro onde a mulher de fato fica incapaz e REALMENTE humilhada, mas não estamos mais na década de 40, há duas décadas vocês rasgaram o sutiã correto? Então criem seus estímulos e enfrentem as situações para mais uma vitória, que não será fácil, pois mexer com cultura é foda. Borboletando, relacionado a questão de cultura, foi exatamente o que eu disse, usei a bunda como exemplo.

tumblr_mrg6wzu7hr1rx419io1_250Pera… QUÊ? 3

Então não é verdade, é só “alegação”. Atenção, pessoas: agora tem que fazer prova do sentimento, porque se ninguém forçar entrada em vocês, a humilhação não é real. E claro, pra que essa barbárie do encoxamento acabe, basta queimar alguns sutiãs. Alguém ligue pra Valisére, por favor. Cadê a Patrícia Luchesi?

Mulher, de novo, estimule-se a enfrentar a situação, da forma que melhor for pra você, se acha que tem que criar um site, crie, se acha que tem que enfrentar um homem, enfrente, se acha que tem que rebater cantadas mau intencionadas, faça, só não fique dizendo que as respostas são machistas e bla bla bla, isso é ultrapassado e desculpinha de quem não quer perder a imagem da fragilidade feminina, hoje as mulheres tem poderes pra fazer o que quiser e se comparar há duas décadas atrás a mentalidade masculina mudou muito, hoje em dia TODO o marido faz questão que a esposa trabalhe, a menos que ele ganhe muito dinheiro e possa dar conta de sustentar a família e quando isso acontece, ocorre comum acordo entre o casal, claro.

Claro, Mulher. Pare de mimimi. Esse negócio de “humilhação” é balela, só existe quando o estupro se consuma, oras. Ele não está sendo machista. Imaginem! O machismo está ultrapassado. As mulheres trabalham porque seus maridos fazem questão disso. O resto é culpa da bunda, lembram?

Legião: Borboletando, mais claro impossível, entretanto, vocês precisam aceitar que existe sim uma minoria consensual, quer exemplo? haviam mulheres no grupo da encoxada, M-U-L-H-E-R-E-S que liam os relatos de um frustrado sexual ou por prazer, ou pra rir (porque já aceitaram essa cultura da bunda que temos no Brasil) ou porque simplesmente nem sabe porque está lendo aquilo.

ULULANTE! Porque se existem mulheres no grupo de encoxadores que gostam de apalpar ou os outros, ou serem apalpadas, isso obviamente demonstra que todas as mulheres gostam! Poxa, como não pensamos nisso antes?

Mulher Sarcástica: Olá Legião, se um homem maior e mais forte que você o encoxa em um lugar público, o que você faria?

Legião: enfrento ele?

Mulher Sarcástica: Mesmo com o perigo dele te espancar?

Legião: sim?

Mulher Sarcástica: Sim, claro, porque quebrar um braço, levar um olho roxo ou correr o risco de algo pior acontecer é muito mais racional do que ficar em silêncio.

Legião: Então o mais racional seria eu ser encoxado e olhar pro mano e falar: “Manda bala champs, sou inferior e vc pode porque é maior” Se liga menina.

Percebam que ele declara que o silêncio e a falta de reação nessas horas significa concordância. Quid tacet, consentire videtur.

Tipos... Hein?

Tipos… Hein?

Não.

Mulher Sarcástica: Ah, eu tentei, a sociedade só se reafirma na sua falta de senso. Ficar em silêncio não quer dizer que eu aceito porque eu gosto, e sim porque eu aceito por medo. Sim, eu sei que é um conceito difícil de entender.

Como eu disse: nem sempre, quem cala, consente. Lembram das mulheres presas em Silent Hill? Então.

Borboletando: Legião sério mesmo que vc acha que uma minoria (que podem nem ser mulheres de fato e sim homens com perfis falsos se passando por mulheres) justifica a revolta de uma maioria por um ato degradante? Mesmo?

Legião: Borboletando, não me refiro a perfis de internet, me refiro a mulheres que não se dão o respeito, mulheres que você encontra na rua, na periferia, na lotação, no trabalho, como eu disse no começo dessa conversa, eu presenciei fatos consensuais, e todos no onibus percebiam isso, existe uma diferença grotesca entre uma mulher intimidada e uma que permite o coito acontecer, cabe a alguém tomar uma atitude. Cabe as mulheres combaterem isso, não redimo a necessidade de melhorar a educação moral masculina, ensinar maior respeito as mulheres, mas enquanto existir uma minoria que quando encontra um “gatinho” no metro/trem/ônibus e este gatinho abusado começa a encoxar a mocinha e esta permite por atração, 30 anos de busca feminina por igualdade social e sexual se esvai.

tumblr_mp4fhwInxz1rx419io1_400Pera… QUÊ?4

Da última vez que chequei, as pessoas tinham que se respeitar independentemente de “se darem ao respeito”. E ter gente que acha legal fazer certas coisas não permite que ninguém – NINGUÉM – atribua isso aos demais. Aliás, não permite nem o juízo de valor, a não ser que seja algo errado. Tem gente que tem fetiche por locais públicos. Tem gente que tem fetiche por estranhos. O índice de relevância disso pra discussão é… ZERO.

Respeito à dignidade da pessoa humana. Este é um princípio constitucional, e abrange a sexualidade delas também. Isto quer dizer que você é obrigado a respeitar, sem juízo de valor. Os seus valores não são os do próximo, mas vocês dois tem o mesmíssimo direito. Então NÃO, nada se esvai porque homens e mulheres resolvem exercitar, consensualmente, sua sexualidade. E nada dá o direito de dizer que por que uma gosta, todas gostam.

Mulher Sarcástica: Pera lá então, se um mulher se sente atraída por um homem isso quer dizer que ela é uma vadia, e se um homem se sente atraído por uma mulher a ponto de invadir a privacidade dela e a assediar, tá tudo certo, porque ela não reagiu? Beleza cara, agora volta pra 1930.

Vejam a Mulher Sarcástica exercitando o respeito à dignidade da pessoa humana. Ela podia – e devia – ter profetizado que mil c*****os alados em chamas com b**as de titânio viessem com a fúria de soldados do Führer ao c* desse indivíduo e de lá não saíssem até que ele gargarejasse p***a de lava. Mas não, ela só disse isso. Respeitou.

Legião: afff desisto

Que resposta eloquente. Invejei o poder da retórica.

Só que não.

Borboletando: vamos lá, de novo:

1) a atitude de uma minoria não invalida a luta da maioria;

2) não é pq uma minoria gosta que dá o direito de um cara ir lá e fazer o mesmo com toda e qualquer mulher

3) supondo que seja consensual, você acha mesmo que a culpa continua sendo da mulher pq ela não se dá o valor? E o cara é fodão pq fez isso? É a mesma linha de raciocínio da mulher que pega vários na balada e tem fama de biscate e o cara que pega vários é macho/fodão/etc

Legião: ambos estão errados, eu mencionei isso lá em cima Borboletando

é disso que eu to falando, e foi na India, o país mais machista na face da Terra.

Borboletando: qnd vc chama a menina de “da vida” e “não se dá o respeito” vc mata todos os argumentos

Legião: peraí, como assim? Se eu vejo nitidamente uma mocinha permitir e permitir mesmo que um molequinho safado a encoxe, eu devo chama-la de que? Todos no meio de transporte percebem que os dois estão quase se pegando, eu devo pensar o que? Esclareçam por favor.

Pera, eu respondo: você deve chamá-la de “mulher”. A sexualidade dela é problema dela. E caso você não saiba, Legião, seu pai era um “molequinho safado”, sua mãe uma “mocinha” e foi assim que você nasceu. E é isso que você deve pensar. São duas pessoas livres, exercitando esse direito. Pronto, é isso.

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Borboletando: bom, pelo visto nao adianta a gente ficar expondo os fatos aqui pq a discussão vai ficar em looping eterno. O que me deixa feliz é saber que muitas pessoas estão entendendo isso pelo acesso a informação (obg Internet) e mudando seu comportamento. Espero que meus filhos e o de todo mundo nasçam e cresçam em um mundo mais justo e cheio de respeito para todos.

Legião: perfeito, o que vale é passar a informação e fazer com que as pessoas SOZINHAS mudem seus conceitos.

Então, Legião, fique ali no cantinho e leia até mudar.

Mulher Sarcástica: Se uma mulher reage no ônibus, quer dizer que todas também podem reagir. Se um homem pode não ser machista, quer dizer que todos também podem seguir o exemplo, olha que legal, Legião!

As pessoas inteligentes começam a entender o título dado a esta Mulher, mas…

Legião: FINALMENTE! É o que estou tentando explicar HÁ HORAS!!!!

Mulher Sarcástica:  Também perdeu a aula de sarcasmo, né amigo?

… Para Legião, precisamos desenhar.

Legião: Mulher Sarcástica, por favor, escreva o que vc quer que eu afirme, impossível. simplesmente impossível.

Borboletando: só queria fazer um ps final: continuar chamando a mulher de biscate, ela estando certa ou errada (o que depende da percepção de cada um) só estraga as coisas.

Legião: Façamos o seguinte, continuem sendo tristes vitimas de uma população machista e permaneçam no silencio, afinal são o sexo frágil, e no entanto, foi assim que foram educadas, não é?

Ah, a “abissalidade”.

Borboletando: ta ok

Mulher Sarcástica: Teu comentário vai junto com o orgânico porque não dá pra reciclar.

Vitrola: Sempre tem que vir um e usar o bendito argumento “tem mulher que gosta” “não reage porque não quer” e “Brasil é a terra da bunda, por isso vocês são estupradas”. Próximo?

Legião: leia atentamente tudo que escrevi pelo amor de DEUS!

Todo mundo leu. Acho que ele não se leu. Ele deveria imprimir a conversa e ler em voz alta num show do Pussy Riot.

Mulher: Ahhaha só rindo dessa resposta que recebi.

Adivinhem quem entrou no Facebook nesse momento e deu de cara com este tópico…

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Lekkerding: Meninas, o que vocês gostariam que esta humilde pessoa fizesse ao ser imundo que postou os comentários mais idiotas da história deste tópico?

Legião: Lekkerding, o fato de você reagir é exatamente o que estou defendendo, que as mulheres reajam a abusos, velho vocês estão entendendo isso ou não? Eu apoio que vocês reajam juridicamente ou fisicamente a abusos sexuais, vocês estão entendendo isso?

Poxa, que bonito. Ele super apoia que as mulheres reajam às apalpações. Mas ele mudar esse pensamento arcaico? Aí já é vandalismo.

Mulher Sarcástica: Lekkerding, reaja!

Lekkerding: Eu sempre o fiz. O que acho meio (muito) infeliz é o ser vir falar na minha cara e na minha presença que quem não reage traz uma concordância tácita, quiçá aprovação, ao ato, e com isso propaga a mensagem de que está ok.

Esse argumento está na beira da discriminação de gênero – algo, aliás, proibido por lei, e por ela punível.

Não, não está ok. Não sou eu que tenho que reagir, é a cabeça de minhoca que tem que NÃO fazer isso. Recado pras meninës: se o grupo reaparecer no FB, NÃO chamem o Zuckebinho. Denunciem para a Polícia Federal como se não houvesse amanhã e aguardem as prisões em massa transmitidas pelo Jornal Nacional.

Legião: Sensacional Lekkerding, essa força é o que eu gostaria de enaltecer na mulherada enraivecida desse post.

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Parênteses: eu não tenho força nenhuma. Eu tenho um péssimo temperamento, combinado com treinamento em artes marciais e muitos animes na infância e adolescência. Eu reajo a toda e qualquer manifestação de imbecilidade – seja contra mim, ou contra terceiros – sem o mínimo de consideração ao que vem depois. A diferença entre mim e a “mulherada enraivecida” é essa: elas não vão lembrar desse tópico daqui 10 anos se trombarem o ser da foto na rua. Eu vou.
E Legião certamente preferirá a mulherada enraivecida nessa hora.

Eu sou assim. Não posso exigir do próximo o mesmo nível de “porra-louquice” que eu tenho. E meu comportamento não deveria ser exemplo pra ninguém.

Exemplo é o cara que testemunha uma palhaçada dessas e intima seu companheiro de gênero sobre o quão errado ele está. Exemplo é o cara que não fala asneiras como “se não reagiu, é porque gosta”. 

O que eu questiono é o que? É o fato de quando se pede mais personalidade para combater assédio a primeira desculpa que aparece é qual?

R: A cultura brasileira ensina que fazer tumulto (vulgo barraco) é feio, e que minha mamis me educou pra suportar isso.

É exatamente esse argumento idiota que eu rebato. Isso é ser conivente, sabe o que está acontecendo e aceitar por medo é ser mulher machista, concorda com os termos culturais obsoletos.

Mulher Sarcástica: “aceitar por medo é ser mulher machista” tchau.

Lekkerding: Você não questiona isso. Você endossa isso quando ameaça sua esposa – “olha, se você não reagir, vai ser assim e assado” – da continuidade dessa coisinha idiota.

Se você realmente combatesse isso, você tinha ido pra delegacia com ela registrar a ocorrência e teria enchido o saco até a conclusão do inquérito. Teria perseguido isso criminalmente e civilmente, por meio de advogado. Se você realmente combatesse, você interferiria sempre que testemunhasse algo assim.

Não fez nada contra? Só falou “ai, reage aí, que bonito”? Tá endossando. Tá idiota igual – até pior, porque tá um idiota que se acredita esclarecido.

Legião: Nós dois sabemos como o sistema criminal é lento, anos atrás houve uma campanha contra o assedio, hoje deveria ter novamente, o fato de eu pedir reação torna a situação igual? Nunca olhei por este lado e pode até ser, entretanto houve uma reação ao fato, não houve aceite, submissão, houve reação a uma atitude, se vocês não aceitam uma opinião masculina não posso fazer nada. Parece implicância porque é um homem respondendo e mantendo fime um argumento.

Mulher Sarcástica: Se você não aceita uma opinião feminina, não posso fazer nada.

Lekkerding: Moço, juro que a lentidão do sistema não tem NADA a ver com o seu uso dele. Nem que demorasse 1000 anos. O certo era fazer isso.

E esse negócio de “ai, é lento” é que é uma desculpinha esfarrapada das mais bronhas pra manter essa posturinha.

Outra desculpinha esfarrapada é “ai, teve uma reação, então tá”. Não, não tá. É sua obrigação enquanto cidadão, manolo, levar isso até as últimas consequências.

AH! Sabe qual é um dos aspectos modernos do machismo? Dispensar todo e qualquer argumento contrário ao seu pensamento como “implicância de mulher”. That’s patronizing.

O Obama morreu de rir.

E meu Oráculo diz que você é abissal. Então, vamos continuar. Tá faltando gente no meu Panteão dos Parvos.

oraculos_historia_sem_fimSim, o Oráculo. Porque antes mesmo de começar a escrever minha resposta, li os comentários anteriores e cheguei a cogitar o Panteão sem dar uma palavra. Os Oráculos revisaram o tópico e chegaram à conclusão unânime: trata-se de ser abissal, que Darwin provavelmente nunca alcançará.

Legião: Então por gentileza, quando alguém faltar o respeito, encoxar, assediar moralmente ou sexualmente, levem até as ultimas consequências. Peço encarecidamente que sempre trabalhem dessa forma, blz?

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Lekkerding: Você ainda não sacou. Você tem essa obrigação. Então não peça pros outros. Povo é você.

Não são elas que têm que ficar reagindo, correndo até risco maior – porque sempre tem quem ache que está tudo bem estapear a mulher que reage – são vocês, homens, que precisam PARAR.

Então, comece por aí. Pare você, de pensar assim. Se vir algo que remotamente pareça assédio, interceda. Fale alto. Detenha o cara, chame a polícia, dê suporte à pessoa agredida (que pode não ser uma mulher). Faça isso, em vez de torcer o nariz e pensar “aff, se não fez nada, deve estar feliz com isso”.

Outra coisa que tem que parar é essa palhaçada de “reagiu, é gay”. Eu não reagi porque gosto de mulher, reagi porque não gosto de sapo troll feito o encoxador. There’s a big fucking difference.

Vou ter que desenhar?

Eu ainda perguntei.

Legião: Saquei sim senhora professora. Disse diretamente pra você, que cada vez que abusarem DE VC em qualquer ordem, que vá até as ultimas consequências. Felizmente só presenciei uma vez e não houve abuso de homem nenhum, a “coitada” da mocinha dava sorrisinhos ao rapaz atrás dela e duvido que já se conheciam, pois não falavam absolutamente nada, o rapaz chegou a encostar seu queixo no ombro da moça e segurou a silhueta da danada e desceram em pontos diferentes com pelo menos 5km de intervalo entre um ponto e outro. Conforme uma moça escreveu acima, EXISTE consenso e é de ambas as partes. Cabe a cada um agir como você cita, levar até as ultimas consequências de uma atitude civil, agora quantas vezes alguma de vocês TAMBEM fizeram isso? Estamos discutindo tabu machista e é obvio que haverá resistência por parte do sexo masculino, parte de ambos, parte, concordo, mas é tabu querida, e tabu tem que partir de algum lado. Portanto alguém vai ter que ceder. Masculino ou Feminino, mas alguém tem que ceder, masculino não cedeu, então vai atrás dos seus direitos. Outra coisa, acha mesmo que se vc reagir a um assédio e um mané te bate, o resto das pessoas presentes vão deixar vc ser surrada? Pode ter certeza que da minha parte, vou interceder sim senhora, antes e depois de uma possível violência física.

Ah, machismo é tabu. Achei que tínhamos concordado há algumas décadas que machismo é uma coisa muito errada. E achei que todo mundo sabia que qualquer invasão de espaço individual alheio era violência física, com ou sem hematoma. Mas tá “serto”. Agora vocês sabem que pra ser violência, tem que ter alguém com o olho roxo. Tá bom. Well, a pessoa resolveu brincar de procurar direitos. Então vamos brincar. Vocês sabem como fico atacada quando falam desse tal de Direito.

Lekkerding:  Da última vez que alguém me disse “vá atrás dos seus direitos”, a pessoa terminou me pagando uma quantia em danos morais e a famosa “cesta básica” por discriminação de etnia.

Eu tenho tudo que preciso bem aqui pra fazer você ser o próximo – acho que você não sacou que sua liberdade de expressão termina quando suas palavras endossam crimes. A Sherazade não entendeu até hoje também. Mas eu posso fazer você entender, nesses termos. As pessoas aqui no tópico, todas podem, do mesmo jeito que eu posso.

Do you really want this race? É assim que você quer jogar o jogo da vida? Dude, você me encostar sem autorização É uma violência física. Não precisa de hematoma pra configurar isso.

Sherazade: ainda estou devendo uma história. Mas isso é para outro post.

Legião: ok, vamos lá então, corrigindo:

Antes e/ou depois de você sofrer uma agressão, eu vou interceder. Perfeito, a liberdade de expressão termina quando suas palavras endossam crimes E/OU agridem moralmente e vc fez isso também. DO YOU REALLY WANT THIS RACE? Acho melhor encerrar isso, não está chegando em um ponto legal pra ninguém.

Olha o Obama morrendo de rir outra vez. 

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Lekkerding: Oh really? Ache aí alguma afirmação minha sobre sua pessoa que configure ilicitude na conduta. Demonstre aqui o fato danoso. Ache o nexo causal entre um e outro.

Isto, se ele quisesse danos morais. Apenas para exercício, convido vocês a encontrarem isso também.

AH! Ache aí a parte em que imputei fato ofensivo à reputação (cuidado aí com sua exceção de verdade, hein) e onde eu te ofendi a dignidade e/ou o decoro.

Isto, se ele tentasse me enquadrar em difamação ou injúria. Apenas para exercício, convido vocês a encontrarem isso também.

I dare you.

Legião: Lekkerding, não tenho interesse em discutir dessa forma então te pergunto, qual teu objetivo em agir assim?

Vejam, ele se sentiu agredido. O que ele disse agrediu muita gente – algumas, vocês estão vendo; outras, achei melhor nem mostrar aqui. Enquanto ele estava agredindo, mostrando a “opinião” dele e ofendendo a liberdade das mulheres no tópico, tudo bem. Aí chego eu, com a minha natural delicadeza de hipopótamo enfurecido. E aí, ele freou. As pessoas agredidas não fizeram mimimi. Mas ele faz o beicinho e “por que você faz isso comigo?”.

A resposta é óbvia. Lembram quando falei do meu péssimo temperamento, ativado mediante desrespeito ao próximo ou à minha pessoa? Pois é.

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Lekkerding: Acredito que você quis discutir feio assim no minuto em que inferiu que não reagir era concordância tácita, quiçá aprovação, ao ato, e com isso propaga a mensagem de que está ok. Você trouxe uma postura totalmente errada – uma postura que tentamos apagar há aeons de existência – ao tópico. Essa é uma postura altamente machista, que persiste mesmo que todas nós “procuremos nossos direitos” todo dia.

Vocês, homens, precisam parar com isso. Passou da hora, já. Vocês precisam muito sacar que pensar assim está totalmente errado, e que reagir devia ser exceção, não regra. Incitar a exceção não ajuda ninguém. Sabe o que ajuda? Parar de olhar o que a mulher faz e apontar o dedo pro que o homem está fazendo.

Quem me conhece bem sabe: sou galo de rinha. Quanto mais você puxa esse pensamento, mais beligerante eu fico. Eu não paro, como o machismo também não para.

Estou apenas demonstrando com quantas consequências se aguenta uma postura errônea.

Legião: acho que não. Acho que o que faltou mesmo foi pura interpretação de te texto de TODAS as partes (não me excluo) pois acima eu inclusive chego a concordar que, reagir é agir da mesma forma.

Quando menciono, “procure seus direitos”, apesar do português errado, procuro escrever de forma abrangente e não direta.

Eu também gosto de ser galo de briga, mas vejo que:

– Estamos defendendo ideias ou aprendendo um com o outro nesta discussão?

Meu objetivo era apenas apresentar meu ponto de vista e coloca-lo em discussão, e o que aconteceu foi:

– Sarcasmo de várias meninas;

– Ataque moral (leia-se abissal e parvo);

A Borboletando foi uma das poucas que discutiu de forma MUITO sadia e respeitosa. Desde então parece que me minimizar tornou-se o principal objetivo da discussão. Lamentável.

Escorreu uma lágrima aqui, de tão tocante que foi isso.

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Vitrola: Ufa, parece que você entendeu que somos sarcásticas, já é um bom sinal. Pode continuar por este caminho que com o tempo você entende o resto (é nosso desejo não só para você, mas para todos os homens da face da Terra).

Borboletando: como se eu não fosse sarcástica o suficiente

Lekkerding: Moço, eu acho que você não sacou que a Victoria cansou e mandou logo um “tá ok” pra ver se você ficava quieto.

Não deu certo.

Eu avisei que tinha que desenhar.

Mas vamos à interpretação de texto: você defendeu ou não defendeu que isso era culpa das mulheres, porque elas não reagem, por “fatores culturais”, porque gostam e outras coisas, e que só vai parar se elas reagirem? Você não defendeu que são elas que tem que “procurar direitos”, e não você que precisa mudar o que pensa? Então. Se você defendeu isso, a maioria esmagadora interpretou o texto corretamente.

O que você está entendendo? Não sei. Não me conte, por favor.

Se você está aprendendo algo, ótimo. Um dia, Darwin te alcança. Mas eu nada estou aprendendo com você. Você está defendendo anomias. E justifica o errado como certo de formas absurdas. Se eu for parar pra aprender coisa errada, vou aprender a roubar bancos. Isso dá dinheiro. Aprender a justificar o desrespeito por seres humanos não me dá nada.

Sabe o que é sarcasmo? Pera, o dicionário responde:

sar·cas·mo

(grego sarkasmós, -ou)

substantivo masculino

1. Ironia amarga e dura, por vezes considerada insultuosa.

O sarcasmo é uma resposta dada em proporção ao argumento lançado. Vou repetir MAIS UMA VEZ: você trouxe uma postura totalmente errada ao tópico, e a defendeu com argumentos que beiram discriminação por gênero (em alguns posts, você passou da fronteira e já foi parar lá na casa da injúria mesmo). Sarcasmo É uma reação. Pergunte-se que ação motivou isso. Vou te dar uma dica: partiu de você, essa ação.

Quando Darwin chegar, ele te explica.

Sabe o que é “abissal”? De novo, o dicionário:

a·bis·sal

(abisso + -al)

adjetivo de dois gêneros

1. Relativo ao abismo. = ABISMAL

2. Relativo às grandes profundidades submarinas.

3. Que se encontra apenas nas grandes profundidades do mar (ex.: peixe abissal).

4. [Geologia] Que é de origem ígnea e se formou a grande profundidade no interior da terra. = INTRUSIVO, .PLUTÔNICO

5. Que é muito grande ou profundo. = ABISMAL, ENORME, IMENSO ? DIMINUTO, MÍNIMO

6. Que está envolto em mistério. = MISTERIOSO, OBSCURO

7. Que aterroriza ou assombra. = ATERRORIZADOR, TERRIFICANTE

É terrível saber que em 2014, no meio de uma rede social, posso encontrar um pensamento desses. Eu e a Regina Duarte temos medo disso aí. E isso não é um ataque moral – não te chamei de biscate por ter medo de reagir a um ser folgado te encoxando. Aliás, você sabe o que é um ataque moral? Hm… Controverso est.

Quanto ao “parvo”, este não era você. Este era o quadro que tenho no meu blog destinado a pensamentos assim, arcaicos e abissais.

Este mesmo espaço que vos cansa os olhos agora.

Tem uma diferença abissal – olha só – entre “gostar de ser” e “ser”. Bem vindo a Esparta. Aqui só fica quem é.

Legião: ta ok.

Ele achou que ia dar a última palavra e continuar com esse pensamento. Ele pode até continuar pensando assim, e talvez por isso nunca consiga procriar, apesar de ser casado (oremos). Mas a última palavra não foi dele. Nem minha, aliás. A discussão acabou com Christina Aguilera.

Lekkerding: “Don’t tell me to behave, cause I’ll never play that game. Don’t tell me what to do, cause I’ll never be uptight like you. Don’t look at me that way, cause I ain’t never gonna change. And if you’re talking about my life, you’re only wasting your own time.

If I want to wear lingerie outside of my clothes, if I want to be erotic in my own videos, if I want to be provacative, well that ain’t a sin. Maybe you’re not comfortable in your own skin.”

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Sim, Christina Aguilera. Essa música é dela. Você pode achar que é só mais uma cantora pop, mas essa loira tem por tradição a defesa de direitos das mulheres, e muitas de suas músicas atacam exatamente esse pensamento abissal. Still Dirrty é uma dessas.

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Isto no Word deu 12 páginas, e eu acho que ninguém mais aguenta ler. Então, não vou dizer que vocês precisam NÃO ser esse cara. Acho que a leitura já demonstrou que não. E se você encontrá-lo por aí, encoxe-o. Se ele fizer cara feia, diga que ele não se dá ao respeito e parece gente da vida.

Lembram? Tem que desenhar, para as criaturinhas que habitam o fundo do oceano sem jamais verem a luz.

Até.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.