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Mais um Panteão dos Parvos

Estou devendo um texto. Eu sei, devo vários. Vamos acertar pelo menos um. Panteão dos Parvos em 3D: vários eventos condensados. E todos eles se relacionam a uma coisinha querida pra todos nós (ou quase): a educação.

A Dona Vitrola reclamou esses dias: está aguardando entrega de duas empresas. Uma nunca atende, e a outra simplesmente não informa nada. O mínimo que as empresas deveriam fazer era atender o cliente.

Em épocas muito remotas – leia-se 2008 – eu acompanhava o Manual do Cafajeste e o Não 2, não 1. Era hilário ver os autores trocando farpas pela internet. Um desses autores – que chamaremos Parvo Blogueiro Hipster – tinha vários widgets de contato no blog.

Um desses widgets era o messenger do garoto. O cabeçalho dizia “converse agora comigo!”. Uma conhecida resolveu tentar. Se o blog fosse uma empresa e esse widget fosse o SAC, ela seria uma cliente satisfeita. Pelo menos por alguns minutos. Porque nos 5 minutos que sucederam a conversa, o Parvo Blogueiro Hipster publicou isso no Twitter:

 “botar o google talk badge no seu blog é pedir pra ser zoado: entram conhecidos que te enganam e desconhecidos que te aporrinham”

Nem o Jake Gyllenhaal se conforma.

Sim, era com ela. É claro que deu barraco, mas isso é irrelevante. O que chama a atenção aqui é a conduta. Nenhuma pessoa sã abre o Messenger no blog só pra xingar muito no Twitter depois. Isto é simplesmente parvo.

Há algum tempo, precisei de ajuda com um “pequeno” empreendimento. Achei alguém que se encaixava no perfil daqueles que poderiam ajudar. Deixei mensagem, para que a pessoa respondesse quando tivesse tempo. Ela respondeu. Deixem copiar aqui a conversa.

Parvo Tecnológico: Digas o que você precisa?
Lekkerding: Queria saber se você trabalha com e-commerce. Com o sistema, digo. Com os templates, e plugins, e whatever essa preula precisa…
Parvo Tecnológico: eu só trabalho com coisas para minha empresa – não faço mais design para ninguém

Eu tinha uma dúvida, e ele respondeu que não me faria um serviço – completamente desconectado do que eu perguntei. A conversa continuou, com o Parvo Tecnológico repetindo bastante – talvez por querer muito acreditar nisso, depois de ver a trapalhada – que a culpa era minha, por N razões. Enfim.

Se o Parvo Tecnológico fosse uma empresa e eu uma cliente, ele estaria no Reclame Aqui. Não se dá uma resposta alheia ao assunto. Menos ainda se você sabe que o cliente não terminou – o Facebook avisa, no chat: “fulano está digitando”. E pior ainda: colocando a culpa no cliente (opa, o Parvo Tecnológico tem uma empresa. Será que ele atende os clientes como me atendeu?).

Tempos depois, vi o Parvo Tecnológico falando de outra empresa. A reclamação: a empresa cometeu um erro no Facebook, e em vez de consertar e se desculpar com quem estava vendo, reafirmou sua atitude – adivinhem em quem a tal empresa colocou a culpa. É claro que eu tinha que dar a torta na cara do Parvo Tecnológico. Depois da torta, tive de aguentar sessões de “como ousa me atacar assim no meu mural?”. Ele fazia – de novo – tudo que estava criticando.

Jackie Chan: Y U NO usa Semancol?

O que importa nisso tudo? O atendimento. Empresas como Submarino, Americanas, Magazine Luiza e Tickets 4 Fun andam atendendo clientes como estes dois Parvos atenderam pessoas.

A coisa é muito simples: quando você se coloca à disposição, sendo você empresa ou não, o mínimo que você deve fazer (é um dever, não um favor) é dar o seu melhor pra prestar informações ou esclarecimentos. Ninguém pôs uma arma na cabeça do Parvo Blogueiro Hipster pra colocar o messenger no blog. Ninguém forçou o Parvo Tecnológico a me responder. Em ambas as hipóteses, não dizer nada teria sido bem melhor.

Há quem diga que esta “publicidade negativa” do atendimento seja irrelevante. Não é. Sabem de onde vem a birra do PROCON com empresas como a Americanas.com? Do péssimo atendimento. Aliás, é sempre bom lembrar que dependendo do grau de estupidez do atendimento – seja por não responder o que são obrigados a responder, ou por agirem como os dois Parvos acima – você pode (e a Dona Vitrola também pode) reclamar ali no amigo Judiciário. Você é o consumidor, afinal de contas. É você que a lei protege da falta de educação.

Entendam: muita gente prefere ficar sem um produto ou serviço, e procurar em outro lugar, que ter que pagar pra quem não vai ter a decência de dar nem as informações obrigatórias.

As pessoas evitam o mal estar da falta de educação nas empresas. Talvez as empresas – e os nossos “queridos” parvos – queiram fazer o mesmo.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

  • Lekkerding

    E você ainda está nessa luta/ Eu já tinha ido conversar com o amigo Judiciário… Mas eu gosto muito dele, anyway

  • Lekkerding

    Olá Carla, agradeço sua visita! Fico feliz que tenha gostado do texto e passado na casinha do TSL no Facebook. No mais, você está certíssima. Esse tipo de comportamento não deve ser tolerado mesmo!

  • Fiquei 2 meses tentando conseguir um orçamento de embalagens, foi uma luta, quero ver quando eu fizer a encomenda, espero receber até 2013

  • Eu não perdoo grosserias de empresas e/ou representantes. Como bem dito, se a pessoa dispõe de um canal de comunicação ativo, ela deve no mínimo, responder com educação.

    Beijo grande
    Carla Mariano
    @MaosLindas

  • Lekkerding

    Praticamente um slogan de campanha eleitoral. Brasil: um país de parvos. Boas palavras, Fabiano!

  • Mas é por aí que tu tira, Rapha.
    A má educação de um, um belo dia volta contra ele.
    Daí, como tu colocou, se reclama, se sapateia, se chora ( e como choram, meu Deus! ) e se faz de indignado.
    Mas ei, EI, onde o cidadão estava quando falhou com os outros?
    Falta auto-crítica, uma reflexão.
    Brasil é um país de parvos. =(
    Abraços!

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.