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Nada pessoal.

Foi uma semaninha inteira de folga, gente. Agora, ao trabalho mental.

Há quem diga que adoro ditar regras nas redes sociais, e que sou uma chata por isso. Sou uma chata por muitas coisas, mas… Acredito que nisso, valha a pena postar.

Acredito que o blog seja a último espaço individual na nets. É o único lugar onde se faz o que se quer. Quem quiser ler, que leia; e quem não quiser, pode fechar e nunca mais ouvir falar da infâmia. O blog é uma janela que o autor abre para que vejam o que ele traz. Ele não cai de mala e cuia na sua lista de amigos. É você, leitor, quem vai ao blog quando bem entende.

Eu gosto muito do meu blog por isso. Eu falo aqui o que me vem na veneta. Você pode discordar. Você pode detestar. Mas este é meu mundinho na nets.

Por isso, defendo o direito da Claudia Leitte de falar quantas abobrinhas quiser no blog dela. Porque não interessa se ela é famosa ou anônima: o blog é só dela pra se expressar. Lembram daquele princípio constitucional tão querido para os marchadores maconheiros? Pois é. Ela tem direito de, no espaço dela, defender a opinião dela. Não gostou? Não leia. Ou leia e dê a sua resposta – de preferência, sendo superior e não falando mais bobagem.

Também acho estúpido perseguir blogueiros no Judiciário. O que está escrito – tirando do bolo os bloguinhos felizes que adoram fazer o “merchan” – é a opinião deles. Isso, claro, observando os limites do bom senso – porque se a sua liberdade se meteu na do outro, ela já acabou, certo? Que bom que nos entendemos nisso.

A Claudia Leitte falou uma grande bobagem. Mas – infelizmente – todos temos direito a pensar bobagens, e até expressá-las, em nossos espaços individuais. Todos nós temos o direito de sermos estúpidos. Não que isso seja algo a ser exercido, mas enfim. Todo mundo pode.

Todos têm direito de criar um blog pra se expressar – mesmo que o ápice da expressão do seu ser seja dizer “estou com diarréia e meu banheiro fede”. Não encorajo esse tipo de coisa (ugh), mas se você acha que precisa colocar isso no seu espaço pessoal… Ok, vá lá. O grande problema é tratarem as redes sociais como blogs.

Criamos perfis nas redes sem nenhuma interferência. Falamos o que queremos, e ninguém pode dizer nada a respeito. E acreditamos que “é tudo nosso”. Parece que finalmente conquistamos espaço pra sermos, sem limites. E os incomodados que se mudem, certo? Não é bem assim. Já começa no nome: rede social.

Algo aí já deveria dar a dica: o perfil é seu, mas você está entre outras pessoas. O mundo esquece que rede social é sociedade virtual. Não tem essa de “o perfil é meu e eu faço o que eu quero”. Seu perfil é sua cara naquele grupo. E no grupo existem regras, iguais às regras de casa, do trabalho, da escola e afins. Não é espaço individual e pessoal. É espaço social. Tem gente vendo.

Ninguém vai olhar feio se você arrotar durante um chat. Mas isso não significa que não estejam prestando atenção nas suas maneiras a cada tweet ou atualização de Facebook, Google + e afins. Na nets, há coisas piores que arrotos pra censurarmos.

Quantos “manuais de etiqueta no Twitter” você já viu? E quantos comentários negativos sobre a conduta de alguém nas redes sociais você já leu? Quantos desses você já fez? E quantas vezes você levou canetadas “suaves” sobre seus modos na nets? Aposto que a resposta pra pelo menos uma dessas perguntas é “várias vezes”.

Repito: seu perfil no Facebook representa a sua pessoa numa sociedade virtual. Você está entre outros seres. E o mínimo de educação que se deve ter é não usar as redes sociais como se fossem banheiro para descarga de pensamentos ou ações. Há outras pessoas lendo aquilo.

Isto não é “cagar regras” como já disseram uma vez. É bom senso. Você chora histérico em churrascos de família, ou aniversários de amigos? Gruda nas costas dos desconhecidos e diz “ei, segue aí”? Escreve em emuxês nas provas? Faz “HUAJASDFARDSGFGFSDS” para o professor, quando acha algo muito sagaz? Você costuma chamar as pessoas de 10 em 10 segundos para contar a elas cada passinho do seu dia? E você informa as pessoas do seu trabalho sobre suas necessidades fisiológicas?

Aposto que a resposta pra tudo foi “não, isso não é legal”. Mas se não é legal ao vivo, por que diabos você acha legal no Twitter, no Facebook, no Tumblr, no G+ ou onde mais couber?

Façamos assim: da próxima vez que você, leitor, abrir seu Twitter ou Facebook, pense bem. Porque se não fica bem ao vivo, não vai ficar legal na nets.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.