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O Açaí, o Haiti… É tudo aqui

NOTA: Açaí foi recuperado em 28.07.2011. Passa bem. Aguardamos novos pronunciamentos do GARRA e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Buenas pra vocês. Esse post sairá um pouco do foco do blog, mas é necessário.  Falta senso nas pessoas. E aí, sou obrigada a abrir a boca.

Não é segredo pra ninguém a minha paixão por bichinhos. Também não é segredo o meu envolvimento com alguns protetorados que conheço. Deixemos as coisas claras: só me envolvo com protetorados SÉRIOS. Com coisas certas. Porque já dizia o bordão: o certo é o certo, não é o errado, e nem o melodramático.  E aplaudo as pessoas que trazem pra si a responsabilidade de cuidar de tantos bichinhos e bichões pelas ruas, à mercê de qualquer infeliz com idéias de jerico pra testar – na mãe, ninguém quer, não é mesmo? Pois bem.

Não é segredo pra ninguém o apoio incondicional que dou ao GARRA. Já fiz piquete para o GARRA várias vezes. Sempre que posso me envolver financeiramente, vou lá e faço meu depósito – sem identificar, porque pra mim, isso de falar “olha, eu doei, salvei sua vida, renda-se a mim” é BALELA das boas – e troco e-mails constantes com uma das fundadoras, cujo trabalho acompanho há tempos. Adoções, arrecadações maciças – quem não lembra do desespero do abrigo da Dona Rosa, hoje praticamente sustentado pelo GARRA? Pois é – e memoriais. Porque no GARRA, quando estamos com o bichinho, estamos até o fim. Custe o que custar.

Isto dito, gostaria que lessem isso aqui. E depois, isso aqui. São dois lados de uma situação que poderia ter sido evitada com o mínimo de bom senso. Já leram? Leram os comentários? Tudinho? Estão bem informados? Então, vamos a alguns esclarecimentos. Tentarei ser imparcial, juro.

– Por mais que a moça queira dizer o contrário, ela NÃO é dona, mãe, proprietária ou whatever do Açaí. Esse bichinho faz parte do protetorado do GARRA. Está registrado em nome do GARRA. E ninguém transferiu direitos a ela. Pra quem não sabe, bicho também fala juridiquês: são bens semoventes – descrição mais besta ever: os bens que se movem sozinhos (não me julguem, é culpa do legislador) – e tutelados por lei. Sim, o seu cachorro também é objeto de discussão no maravilhoso mundo do Henrique Arake. E se você quiser ser o dono, o pai ou whatever dele, é bom fazer constar. Documentos, amigo. RG Animal, as guias de vacina, e outras tantas baboseiras registradas. Só assim você prova quem é o dono do bichinho.

Se você adotou seu bichinho de um protetorado, a coisa fica um pouco mais complicada: o animal já estava devidamente registrado pela organização, e eles precisam transferir a propriedade.

Posse, caros leitores, não é propriedade. E dependendo de como se dá a posse, as coisas não acabam bem pra você, possuidor de má-fé.

Em português: não é porque você dá abrigo temporário a um cachorro, ou resolve apadrinhá-lo, que ele é seu. E restringir o acesso dos protetorados ao bichinho, nesse caso, é um problemão – pra você. O protetorado prova por A + B, com todos os documentos, a propriedade – que se não me engano, são já lavrados no veterinário, da mesma forma que fazemos pré-registro de recém-nascidos na maternidade – e você prova com o quê? Lágrimas?

Esse é o ponto central dessa “briga” – que eu comprei, e daí? Já falei, apóio o GARRA até morrer. Sou corinthiana, nasci pra ser Fiel.

A moça em questão, que atualmente detém a posse, obviamente indevida, do cãozinho Açaí – que ela quer rebatizar de Sassá – não quer devolver o cachorro ao GARRA. Não que o GARRA seja o grande malvadão separador de mães e filhos; mas o Açaí é responsabilidade deles. E sob os cuidados dela, o cãozinho teve problemas de saúde, agravados por um descuido da própria madrinha, atualmente possuidora.

Não é apenas direito do GARRA, é dever deles saber exatamente o que ocorreu e ver se o Açaí está bem. A madrinha não percebeu isso ainda, a julgar pela carta emocionada escrita ao ANDA – Maria do Bairro mandou lembranças.

Ninguém foi brincar no parquinho do Poder Judiciário pra provar de quem é o cachorro: a discussão no processo é outra. Se o Açaí fosse uma criança, eu poderia dizer que se discute alienação parental aqui. Mas acho que o drama não chega a tanto, pelo menos não na mesa do juiz. Nem na do perito, que acabou de ser intimado ali.

E é isso. Mais alguém não entende? Não fui clara? O cachorro NÃO É da madrinha. E os verdadeiros proprietários precisam ver o cachorro, pra saber o que houve. Porque se alguma coisa acontecer com o Açaí, não é a madrinha quem vai ter dores de cabeça; é o GARRA, aquele que registrou o bichinho, e que é proprietário.

Essa madrinha, cujo nome eu não digo aqui – mas todo mundo sabe – tem a posse indevida do Açaí há 30 dias, completos hoje. E até hoje, ela não entendeu isso.

No meu blog, eu falo o que eu quiser, e me responsabilizo inteiramente por tudo que digo. Eu, sozinha. Não vou chamar o Ben 10 pra ajudar. Continuo criticando as atitudes dessa moça, que não me parecem razoáveis e sequer dignas de alguém que ama seu bichinho. Quem ama, cuida. Viu o bicho passando mal? Consulte o veterinário, leia as bulas receitadas, encha o cara de perguntas – mesmo que seja a grandissíssima sumidade do mundo animal, ela pode errar. O tal veterinário de confiança da madrinha errou, e nessas, o Açaí quase foi pro Além. Deu problema? Relate aos responsáveis. Repito: não é porque está na sua casa, que é seu.

Ela? Não, ela é uma Tadinha. Violentamente perseguida e caluniada pelo GARRA no ANDA – ela realmente acredita que faço parte do GARRA. Cada um com sua crença. Ela não quer deixar ninguém ver o bichinho. Nem fotos recentes ela apresenta.

Quero crer que o Açaí está bem e saudável, mas não posso. Ninguém – nem as pessoas que agora brotam pra defender essa madrinha na internet – sabe como ele está, porque ninguém o viu. As informações de que ele está muito bem de saúde são DELA. O Sarney diz toda hora que é a pessoa mais honrada desse país. Quer dizer que se eu repetir algo até o fim, vira realidade? Esperem, vou ficar no banheiro repetindo que tenho 30 milhões de euros. Vai que dá certo.

Comento aqui apenas e somente os fatos pertinentes ao caso, e opino com a minha já conhecida delicadeza de paquiderme enfurecido. Quem quiser fofocar, pode ler lá no blog do GARRA sobre as “bandidas fortemente armadas de pizza” na porta da casa alheia, ou pode voltar e ler lá mesmo, nas notícias do ANDA, ou no blog da madrinha, sobre a violenta perseguição do grupo que “está aproveitando a situação para convocar voluntários e, com isso, mais doações pois vive de doações e mal tem para comprar ração para inúmeros cães que vivem em canil”. Eu andava comentando fervorosamente por lá, mas já vou largar a mão. Vocês sabem… Burrice me irrita.

É isso. Eu juro que vou fazer a tia Sernaiotto rir no próximo post. Por ora, precisava tirar isso da cabeça. Até a próxima.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

  • Lekkerding

    O engraçado é que os loucos são os que pedem exatamente isso. Ironias do mundo.

  • Paula

    Preocupante a situação do pobre Açai preso dentro da casa dessa mulher que se apossou dele.Ok, se ela ama o bichinho e não quer que o tirem dela, prove que ele está bem de saúde e sendo bem tratado, aliás, que está vivo (torço fervorosamente que sim!). Agora acho que o ponto forte da questão é por que ela que tem a posse do Açai não deixa as pessoas da entidade, que é bom esclarecer que salvou a vida dele , pois até tiro o pobrezinho já levou, observar de perto o estado de saúde dele? Li todos os comentários e sequer conheço os trabalhos do G.A.R.R.A., mas já pude ter essa opinião: ela está errada por não deixar o acesso livre para a entidade ver o Açai, tal qual a justiça faz no caso de uma adoção de uma criança: ACOMPANHAMENTO livre a comprovação de bem estar da criança ou retira-se a guarda do possível adotante.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.