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O que eu não conheço

Olá a todos! Este assunto é urgente. Para alguns, desconhecido, coisa que não deveria ser.

Navegando no Twitter, recebi mensagens solicitando ajuda para um usuário que precisava encontrar as normas técnicas de redação para produção acadêmica.

Pois é. A esta altura, você deve imaginar o que seria essa tal de “produção acadêmica”. Seriam legiões de pessoas saradas saídas das academias? Claro que não. Este é o nome dado às pesquisas científicas, estudos conduzidos sobre determinados temas para trazer esclarecimentos às questões abordadas.  Seu propósito é gerar conhecimentos que colaborem para a compreensão da realidade e facilitem a intervenção sobre ela.

Esqueçam os cientistas malucos trancados em laboratórios, fazendo experimentos em ratinhos: todo tipo de pesquisa voltada para determinado fim é científica, até mesmo os seminários feitos na escola sobre abelhas ou qualquer outro assunto.

Mas para que uma pesquisa tenha status científico e seja considerada produção acadêmica, deve obedecer a uma série de conceitos e técnicas previamente estabelecidos, e de acordo com normas em vigor no país. É aí que entram as normas da ABNT, conjunto de regras feias para uniformizar a produção acadêmica e dar características específicas aos documentos produzidos no meio universitário – e além dele.

Ao contrário do que se imagina, estas pesquisas não são exclusividade dos “peixes grandes” que já passaram pelo vestibular e só tiram notas altas na faculdade. Pesquisadores também não são bichos de sete cabeças intelectualóides sem um tostão no bolso.

Desde que tornou-se obrigatória a apresentação de monografia para a conclusão de cursos superiores – o famoso e temido TCC de algumas áreas – a produção investigativa/científica aumenta exponencialmente no Brasil. E com o apoio das entidades governamentais, através de concursos como os organizado e divulgados pelo CIEE, cada vez mais alunos de cursos técnicos, supletivos e de ensino médio aderem ao prazer de pesquisar e escrever obre algo, contribuindo para o país, para sua formação e para seu bolso – as premiações são generosas; a recompensa padrão para os primeiros colocados chega a 10 mil reais. Temos no Brasil muitos profissionais que ganham a vida e viajam o mundo pesquisando para contribuir com a sociedade.

Com todos estes fatores, não é de se admirar que o país tenha crescido tanto m termos de produção acadêmica. Segundo dados do último censo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), os grupos de pesquisa obtiveram 50% de crescimento, em mais de 86 mil linhas de pesquisa. O número de doutores brasileiros, desde 2002, cresceu 94%.

Estes dados refletem bastante no reconhecimento da classe estudantil no exterior, com eventos como a vitória da brasileira Anna Carolina sobre mais de 1000 jovens de 95 países, num concurso promovido pelo governo americano, e a ótima classificação da USP no Webometrics Ranking Web of World Universities, pesquisa realizada desde 2004 pelo Ministério da Educação da Espanha, à frente de gigantes como Princeton e Oxford.

O quadro parece animador. Mas no caminho para a consolidação do Brasil como berço de grandes pensadores e intelectuais, um “pequeno” probleminha: o acesso às normas técnicas para a elaboração de documentos científicos é bem escasso. No site oficial da ABNT, só conseguem as informações aqueles que pagam; e pela internet, conseguimos achar algumas dicas soltas, mas não dados completos.

Este problema tem solução fácil nas universidades, pois professores – e às vezes a própria instituição – orientam o aluno e fornecem as informações necessárias. Mas para os jovens que tentam exercer, sozinho, a arte da pesquisa científica, é trabalhoso produzir um bom documento, visto que muitas áreas de conhecimento possuem regras específicas para seus impressos.

Com isso, os que insistem em escrever artigos e outras peças científicas sem prévio conhecimento das normas técnicas tendem a ter seus trabalhos desclassificados, e perdemos muito da produção intelectual do país. Ontem, ficou claro que para um país tão rico no ramo e tão cheio de oportunidades para os que desejam se aventurar, esta mera tecnicalidade representa um obstáculo tremendo no crescimento dos estudantes, e conseqüentemente, da nação.

Pensando nisso, trago a vocês um manual prático atualizado e válido a partir de 2011, para artigos, dissertações, projetos, trabalhos de conclusão de curso e teses. Também deixo disponíveis links para o CIEE e o CNPq, institutos que sempre organizam ou divulgam concursos de pesquisas. É bom manter cadastros atualizados e acompanhar as notícias e newsletters via e-mail; ter um bom artigo científico no currículo é sempre vantajoso no mercado de trabalho. Espero que estas informações sejam úteis. E se ainda assim, você não souber como editar e formatar seu TCC… Basta entrar em contato. =)

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

  • Wilson Araújo

    Mas é assim ué. Hoje é usada essa forma de avaliação para a massa de artigos acadêmicos produzidos em uma nação. Claro que o fato de vários de nossos principais pesquisadores migrarem para centros fora do Brasil também é expressivo no quesito expoentes da pesquisa científica.
    Se bem que no quesito análise a décadas tentam achar um indicador que preste para qualidade de vida da população e nunca encontram algo satisfatório.

  • Lekkerding

    Se assim fosse, o CERN seria medíocre. Metade da produção acadêmica deles é desconhecida.

  • Wilson Araújo

    O índice mais aceito para qualidade de artigos acadêmicos tendo como base país X país é o de quantas vezes o texto é referenciados por pessoas de outras nações. E o Brasil, talvez motivado pela pouca difusão da língua portuguesa, nunca foi bem.

    http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&view=article&id=22452:universidades-e-indicadores&catid=30:conferias-e-simps&Itemid=66

  • Lekkerding

    Pra ganharmos prêmios e reconhecimento internacionais… Não deve ser tão ruim assim. =)

  • wilson araujo

    Só é uma pena que a qualidade dos artigos seja tão ruim.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.