O quinto, o sexto, o sétimo e o oitavo dia do resto do mensalão

A fase de defesas para o julgamento do mensalão terminou. Já faz sentido voltar a falar disso.  Parei de atualizar por um motivo: as defesas se resumiram a criticar a denúncia de Roberto Gurgel e falar da inexistência de provas. Repetição é um pavor sem fim. No quarto dia de defesas, eu já ouvia tudo como um “Volta o Cão Arrependido” remix. Ou pior.

Oito dias de Nyan Judiciário...
Oito dias de Nyan Judiciário…

E foi essa a estratégia: Bater na denúncia e dizer que provas não existem. Isso, sem falar no distanciamento dos réus. Seja por desconhecerem o que acontecia, por serem meros empregados ou sócios que não comandavam a parte financeira da coisa, todos trilharam esse caminho.

Destaques? Bom, já falei dos Sledgehammers. Tem o Alberto Zacharias Toron, eleito o Seiya do mensalão. Antes de fazer sua defesa, Toron ficou na tribuna de olhos fechados, imóvel, como se estivesse tentando alcançar o sétimo sentido. Funcionou: sua atuação foi brilhante. Outro destaque é Haman Córdoba. Sagaz, bem apessoado e (aparentemente) solteiro, ele conseguiu a vitória que Márcio Thomaz Bastos tanto quis.

O resto, ao menos pra mim, foi desfile de pavão. Muitos quiseram fazer do Judiciário uma CPI. Outros resolveram questionar a não inclusão do Lula na lista VIP dos réus.

Mas o festival acabou. E os ministros já puseram mãos à obra. Julgaram 18 preliminares e indeferiram 17 delas. Joaquim Barbosa chamou a tarefa de “eliminar as abobrinhas”. Discordo veementemente. Se preliminar fosse abobrinha, o STF não teria de engolir o sapo e reconhecer o erro grotesco com Carlos Alberto Quaglia, que ficou sem advogado o processo inteiro, praticamente.

Entre as “abobrinhas”, houve um barraco. Os advogados Antônio Sérgio Pitombo, Leonardo Magalhães Avelar e Conrado Gontijo levantaram suspeição do kryptoniano Barbosa, que deu entrevista e falou do caso (ele não pode fazer isso). É claro que o ministro ficou fulo. A preliminar foi indeferida. Apesar da limitação legal do falatório, se fosse pra dar por suspeito todo ministro que falasse do caso, não tinha mais ninguém no plenário.

Joaquim Barbosa contra-atacou: pediu que se fizesse uma representação contra os três advogados na OAB. Vejam, ele levou (demais) para o lado pessoal. E a coisa ficou feia no STF. “Vocês ofenderam esta Corte”, Joaquim dizia. Até o Conjur entrou no balaio. Apesar dos pesares, o pedido do ministro foi indeferido. Sábias as palavras de Celso de Mello: “O Poder Judiciário jamais poderá permitir que se cale a voz do advogado”.

A única coisa deferida foi o cerceamento de defesa de Haman Córdoba, já que o réu passou boa parte da instrução processual sem advogado. A Defensoria conseguiu nulidade dos atos desde a defesa prévia, e o tão almejado desmembramento do processo para Carlos Alberto Quaglia, com remessa dos autos à Justiça Federal de Santa Catarina.

E foi isso. Vamos à fase final da coisa toda. Os ministros já começaram a votar, e até Barbosa resolveu correr – Peluso tem os dias contados. E o barraco está armado. Falamos dessa história amanhã.