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O rótulo, a etiqueta, o futuro do país e a minha opinião: não é a mesma coisa

Faz tempo que não escrevo. Posso colocar a culpa disso em vários elementos – ela é minha pra botar onde eu quiser, já dizia Homer Simpson. Mas não sei o que vai na veneta das pessoas de ouvirem “bugalho” quando disse “salsinha”. E quem entende errado, classifica errado. Aí vai um pedaço da culpa, e é hora do divã no TSL.

Já fui chamada de petralha por defender o aborto – a escolha é da mulher, queiram ou não. Por falar sobre o estatuto do nascituro, fui chamada de machista e reaça (por alguém que disse que o caso de Michelle Knight não tinha nada a ver com a bolsa estupro – pensada pra suporte de quem escolhe ter uma criança nessas condições).

Ao criticar a repórter do SBT pelo absurdo dito – e apontar que sim, houve apologia a crime nas palavras – fui chamada de psicopata, cretina e vagabunda. Ao defender prisões feitas em certas manifestações – onde os detidos cometeram, vejam vocês, crimes! – fui chamada de coxinha.

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Guia animado, vamos praticar?

Dia desses, ao defender o uso do ordenamento jurídico pra garantir os lindos direitos em vez de passeatas, fui chamada de obediente (!). Ao criticar quem acredita que mulher de saia curta tem que ser estuprada, fui chamada de racista (!). E ao criticar o excesso de zelo das pessoas com o preconceito racial, fui chamada de elitista (!). O nexo? Não tem. Porque pra falar de política, eu tenho que ficar do lado de alguém e tomar todas as dores, sejam elas justas ou não. Certo? Errado.

Isto não é coerente. Por defender a escolha da mulher, não posso achar a proteção do nascituro válida? Se entendo que “legítima defesa” é um princípio muito sério pra ser usado em vão, eu automaticamente me filio ao PT? Por preferir brigar dentro do devido processo legal, virei Jó? E se acho justo o PM prender o ser quebrando coisas, minha árvore genealógica tem que ter Mussolini no meio? Nada é absoluto, gente, e maniqueísmo não constrói.

Política, atualmente, virou filme da Disney. Sempre o bem contra o mal, a esquerda contra a direita, a princesa contra o vilão, enfim. E assim as pessoas encaixotam todo mundo, pescando 3 de 20 palavras proferidas, fora de contexto: ou é esquerda (e passa longe), ou direita (e nem sabe o que significa). Parece seita religiosa. Se num assunto qualquer que seja, você se “inclina” para um desses lados, é compelido a aceitar todos os dogmas sem questionar, e a todos defender.

Chega, gente. A Disney já pediu pra parar.

Chega, gente. A Disney já pediu pra parar.

E ai de você se sair da linha. Experimente defender a prisão de manifestantes e dizer que Dilma VTNC foi falta de educação, pra ver o que é “bom”. Histeria, né? E isso, num ano de eleição, muito me preocupa. Precisamos entender que não existe extrema direita e nem extrema esquerda. Existe a extrema ignorância, a extrema confusão, o extremo ódio e todas as consequências extremas derivadas.

Esquerda e direita, aliás, não explicam mais o Brasil. Elas sequer se explicam – cada uma adora florear origens, mas a verdade é que são siamesas e vieram do mesmo útero, digo, mente. Nunca haverá supremacia de uma sobre a outra, ou vice-versa; elas são simbióticas. E só com elas, juntas, fazemos política.

Porque política não é a arte de puxar a sardinha pro seu prato, ou ganhar no grito. É conciliar interesses numa solução satisfatória, com benefícios a longo prazo pra todos. Alguns destes interesses servirão ao coletivo; outros, ao indivíduo. Sem rótulos, sem insultos, sem direitinhas e esquerdinhas. E sem Deus no meio (tem que avisar, senão lá vem o povo das igrejas).

Deus-e-a-política

Estamos num ano eleitoral. A política, meus caros, vai virar de tudo. Dependendo da sardinha, até seu grande amor em 3 dias ela vai trazer. Mas é isso que queremos no Brasil pós Copa das Copas? Vocês é que sabem. E sabem como essa escolha será feita? Aprendendo e ensinando a boa e velha política, para matar a politicagem-sectária-religiosa-de-todos-os-lados.

Eu? Continuo aqui. Qualquer ser que se dedique a esta vidinha política sabe que a estrada será tudo, menos agradável. Por mais que seja chato ter que aturar essas coisas, é bom saber que por aí, ainda existe gente que usa o cérebro – como você, que está lendo isso. E se conseguimos nos encontrar na internets, há esperança de conseguirmos até restaurar o verdadeiro pensamento político no Brasil.

Pronto, acabou o sentimentalismo. A bola não está com o Neymar. Está com vocês. É gol ou não é? Quero só ver.

Lekkerding 236 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

Comentários

  1. […] reflete na política também. Lembram-se do texto anterior? Então. Precisamos nos entender. Precisamos falar o que pensamos (sem rodeios) e ouvir o que nos […]

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.