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Originais Netflix: vale a pena ver?

Quando a lista de indicados ao Emmy foi liberada, todo mundo ficou em polvorosa. Tudo por causa de um pedacinho da internets chamado Netflix. Sabe o que é engraçado? Essa empresa existe há 16 anos, e só agora a gente se tocou disso. Ela foi uma das responsáveis pela queda do império Blockbuster; desde o comecinho, a Netflix é “uma locadora sem loja”. Você paga X por mês e tem direito a vários itens no catálogo. Antes, eles mandavam DVDs pra casa do assinante; agora, a coisa mudou de vez para o streaming e caiu no gosto dos seriadores.

Há quem diga que a Netflix será a próxima HBO. O Brasil já entrou na dança, com série exclusiva e tudo.

Mas todo esse frisson vale a pena? Aqui vão as impressões digitais (piada infame) de algumas séries Netflix pra vocês.
Lilyhammer

Este é o primeiro chute da Netflix. Essa série foi produzida com um canal de TV norueguês, o NRK1, e um quinto da Noruega ligava a TV só pra ver isso. Eu não sei como Lilyhammer foi aceita na nets. Sei que assisti a série e achei divertida, complexa em alguns aspectos (e eu não vou contar muito, senão vem spoiler) e a trilha sonora é ótima. Vale a pena saber que a Netflix começou as coisas com nota 9.

House of Cards

Ah, a queridinha do Emmy. Essa história é mais velha que a invenção da roda. A BBC fez a trilogia dos livros de Michael Dobbs nos anos 90, e agora a Netflix adaptou tudinho (o original se passa no Reino Unido, e tem uma dinâmica completamente diferente). É aqui que mora a genialidade: eles praticamente reinventaram a trama (e a roda junto). Como se não bastasse toda essa sagacidade, tiraram da cartola um time campeão pra estrelar a série. A nota é 10 e se você ainda não viu, pare a heresia e veja. JÁ. Não vou mostrar nem o trailer, pra não estragar a surpresa da awesomeness da série.

Bad Samaritans

A Netflix também manja das risadas. Depois de distribuir 6 especiais de stand-up, ela resolveu se arriscar na comédia. O resultado ficou promissor, mas precisa melhorar. A nota é 7: não é ruim, dei bastante risada. Mas ainda falta aquele tchan.

Hemlock Grove

Ahá. Outra queridinha do Emmy. Hemlock Grove é meio terror, meio comédia, meio gore, meio teen movie, meio sci-fi… A mistureba é grande, e às vezes a gente se perde. Em alguns momentos, a série arrasta um pouco. Mas ela não deixa de empolgar. Nota 8, e vale a pena conferir.

Arrested Development

Mais uma queridinha do Emmy, e velha conhecida nossa. Após anos de súplicas dos fãs, a Netflix entrou na jogada e salvou a pátria. Resultado? A quarta temporada da série, a quinta temporada a todo vapor E um filme no ar. Eles tiveram o bom senso de pegar uma série boa, que tinha uma base de fãs grande E consistente – e cuja maioria usa a internets até demais – e trazer pra grade. Nota 10 no carisma, nota 10 na série. Mas ela sempre foi nota 10, então…

Orange is the New Black

Essa série deixou o pessoal maluco. Já queriam dizer que era ótima antes de ser liberada. Sinceramente? É uma boa série. Não é nível House of Cards, mas é uma boa série. O enredo costurado era um pouco previsível pra quem leu a história de Piper Kerman, mas nem por isso deixou de ser interessante. Gostei da série, recomendo, e pretendo continuar acompanhando. Nota 8. Confiram.

Em geral? A Netflix é promissora. Não acho que seja a próxima HBO, mas está no caminho certo pra se tornar a referência dos nets na TV. De série brasileira, eles podiam ter feito coisa melhor. =(

Mas vamos ver o que mais a Netflix tem na cartola. Algumas séries previstas para estreia neste semestre e em 2014 parecem muito interessantes, como Narcos – falando em comparação a HBO, olha só o filho mais novo de House of Saddam – e Sense8, dos Wachowskis (é, a Matrix foi parar no Netflix). Por enquanto, Narcos é só especulação, mas as fofocas já animam: o diretor seria ninguém menos que o manolo de Tropa de Elite, José Padilha. Ainda tem Derek pra conferir. A programação tradicional precisa se cuidar. Se tudo der certo, a Netflix veio pra ficar.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.