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Os Conans da vida

Agora que o Hipnoseries voltou, é bom escrever um pouco. Então vamos exercitar o besteirol. Ou não.

Devo dizer que venho de uma era mágica e há muito perdida, onde ir à locadora era a viagem ao centro da Terra e pra ser herói, só precisávamos de muita coragem para enfrentar o mal. Ou, claro, ser o Superman. Nessa era mágica, havia a Sessão da Tarde, que apresentava grandes heróis da nossa era. E foi assim que conheci Conan. Verdade! Conan, O Bárbaro, era exibido na Sessão da Tarde. Admito, algumas cenas eram editadas – mas nada que não pudéssemos sanar na locadora.

Os dois filmes do Conan – O Bárbaro e O Destruidor – moldaram a imaginação de muita gente que lia a revistinha (e os contos) na época. Como Star Wars, os efeitos eram toscos, a história era estranha e os atores péssimos; tinha tudo pra dar errado, mas por alguma razão cósmica (a trilha sonora fenomenal do Basil Poledouris), deu certo.

Em 2011, lançaram “Conan, O Bárbaro”. De novo. Agora, o cimério mais épico do mundo é interpretado por Jason Momoa. De tudo que dizem por aí do filme… Acredito que “medíocre” seja o melhor elogio. Mas será mesmo ruim, ou é só raiva de fã? Voto na segunda opção.

Sinceramente? O Conan de agora é bom. Tem seus méritos, ao brincar um pouco e dar referência dos dois universos do cimério: HQ e contos.

À esquerda, o Jason Momoa; à direita, o Conan da HQ; no meio, o Schwarzenegger.

À esquerda, o Jason Momoa; à direita, o Conan da HQ; no meio, o Schwarzenegger.

Por mais cult que o Conan de 1982 possa ser, o cimério de 2011 tem a vantagem. Por quê? O visual consegue se relacionar muito melhor com o HQ e contos. Morgan Freeman está narrando – isso é épico por si só. Jason Momoa preenche o personagem melhor que Arnold Schwarzenegger e seu estilo anabolizante. Não há páreo para o vilão de James Earl Jones, e isso, todos sabem. Stephen Lang trabalhou à margem disso, e fez um vilão bacana.

Rose McGowan fez uma vilã bacana também. A bruxa Marique roubou a cena e compensou (um pouco) a falta de um par à altura pro tio Conan (é, Valeria fez falta). A vilã ficou tão boa, mas tão boa, que já virou fetiche. Já até vejo as meninas do cosplay este ano, cada qual com sua versão do penteado maluco, das garras de Freddie Krueger e do ar psicótico.

As cenas de luta sem censura e com muita carnificina do começo ao fim estão sensacionais. E com a deliciosa vantagem de não ter nenhum bichinho maltratado durante as filmagens – em 1984, com O Destruidor, multas foram pagas e cortes foram feitos. Cavalos, camelos e outros animais sofreram muitos abusos no set.

As palmas ficam para o mini Conan, Leo Howard, cujo reiatsu foi devidamente reconhecido com 5 minutos de filme. Se Jason Momoa conseguiu construir um bom personagem, foi pela base que este mocinho e que Ron Perlman (o pai do Conan e eterno Hellboy) deram.

Achei o filme divertido. Pra quem gosta de ação, é uma ótima pedida. Sem compromisso, sem comparações e sem fanatismos, você corre o sério risco de gostar da coisa. E pra mulherada, claro, Jason Momoa. É vida, amor, glória e chocolate.

É isso, pessoal! Até a próxima. Vai que a Lys ou a Hapillss resolvem sair da Muralha pra postar…

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

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  • Slip

    Um filme não fica bom só pq tá parecido com a obra original. SE esse filme do Mamona é mais parecido com a HQ do que o antigo, então afirmo com todas as letras: a HQ é bem fraquinha. Mais uma vez: SE for mais parecido.
    Esse Conan não vale 1h30 de diversão mas nem forçando muito a barra. Só mesmo como última opção, se o caboclo não tiver mais nada pra fazer naquele momento ou a curiosidade falar mais alto. Fora isso, não recomendo.

  • Lekkerding

    Não só pelo cabelo – tudo bem que eu peguei uma foto bem sugestiva – mas no total. Se fizerem uma sequência e meterem chifres e coroas no Momoa, isso vai ficar bem evidente. Só faltam os olhos azuis pra ele. E nossa, o Marlon Brando se ofendeu na tumba com essa.
    No mais, é como disse: assistir sem compromisso e sem fanatismos, o filme leva à diversão. Passa uma hora e meia, você se diverte com as carnificinas, com a trama, as mulheres suspiram (bastante, ui ui ui), todo mundo ganha. Vamos NÃO cultuar a coisa, Vamos pelo que é: entretenimento.

  • Lekkerding

    Eu também chamo o moço de Mamona. hahaha
    Comparar os filmes é furada total. O que interessa aqui é o Conan original (dos contos, mais tarde desenvolvidos em um monte de HQs). Nesse sentido, o Jason Momoa levou vantagem em aparência e atitude. Ele ficou mais próximo do Conan original, e por isso dá pra dizer que foi melhor que o de 1982. O Conan do Schwarzenegger é cult, é marcante, é a primeira vez na telona, tem um valor mais alto. Mas… Olhando os filmes, e olhando os contos… Ele perde um pouco. Só continua na frente porque tem Basil Poledouris.

  • Primeira pessoa que eu vejo que gostou da atuação do Jason Mamona(Momoa). A história em si ficou bacana, mas esse não chega nem aos pés dos antigos, em nenhum quesito.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.