Os filmes do Oscar: Ida

A febre do Oscar passou. Seus amigos estão todos comentando que Eddie Redmayne merecia ser o Melhor Ator, a Patricia Arquette finalmente foi reconhecida e Birdman ganhou todas. E você aí, fazendo cara de paisagem porque não viu nem trailer dos filmes da temporada.

Calma que a gente te ajuda. Agora tem outra saga: a das resenhas dos filmes do Oscar. Vencedores e indicados. Já aviso: spoilers andarão livres, leves e soltos nas resenhas, então tem que escolher entre a cara de paisagem na conversa ou a cara de bolinho na leitura.

Vamos começar com quem ganhou Melhor Filme Estrangeiro: Ida. É um filme polonês, dirigido por Pawel Pawlikowski e estreando Agata Trzebuchowska – sério, acharam a garota na padaria e perguntaram se ela queria fazer um filme. Deu certo.

O filme conta a história de Anna, uma noviça prestes a fazer seus votos e virar freira. Ela vivia muito contente até que a Madre Superiora disse que ela tinha que ver o mundo antes, pra ter certeza (mentira, a tia de Anna pediu uma visita, mas ela não quer ir e a Madre insiste).

Anna vai para o mundo real (de verdade, pega até ônibus lotado) e conhece sua tia, Wanda (Agata Kulesza), uma mulher problemática. Ela é juíza, e abusa da bebida pra compensar uma perda (que só fica clara depois). Juntas, elas decidem fazer uma viagem pra colocar Ida em contato com suas origens.

insira aqui a trilha sonora d'O Senhor dos Anéis para jornadas épicas.
insira aqui a trilha sonora d’O Senhor dos Anéis para jornadas épicas.

Aí vem a surpresa: a noviça católica é judia. O nome dela é Ida, e os pais morreram pela Segunda Guerra. As duas encontram a antiga casa da família, e uma disputa de terras começa a se desenhar. Como os novos ocupantes do local não dizem nada, elas vão procurar o homem que ajudou os pais de Ida na guerra. Mas no meio do caminho, tinha uma carona, e a noviça nada rebelde conhece um músico (lindo). No início, Ida não se abala, e confronta a tia pelo estilo de vida que “não é de Deus”, mas se vê encurralada pela vida que ela nunca experimentou.

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A crise existencial de Ida entra em pausa quando ela descobre onde os pais estão enterrados. Com eles, um garoto, que é filho de Wanda, e foi mandado para lá por ser mais seguro. Só que não era. Sabe a disputa de terras? Então, as pessoas que moram lá agora mataram a família pra levar a casa de brinde, e justificaram com os atos de guerra. Ida só sobreviveu por não parecer judia na época.

Ida e Wanda levam os restos mortais até a tumba da família, e enterram tudo lá. E a vida segue como antes: Wanda volta aos julgamentos, e Ida aos votos. Só que… Não. Wanda se mata, e Ida recusa os votos. Aproveitando a notícia da morte da tia, Ida (agora ela só usa esse nome) faz outra parada no mundo real, mas dessa vez ela compra o pacote plus de experiências, com direito a reencontro do músico. E depois de experimentar tudo que disseram que ela não sabia… Ida volta para o convento. Fim.

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Não é um filme longo – pouco mais de uma hora – mas deixa as cenas pesadas, pra que pareçam mais longas do que são, talvez pela solenidade da história, que é muito rica em detalhes, com uma trilha sonora simples e infalível (Mozart, gente. Nunca falha) e boas surpresas. Foi bacana acompanhar a jornada. Merecia a indicação pro Oscar… Mas não o prêmio. Esse devia ter ido pra outro filme, mas essa fica pra outro texto.

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Até lá a gente fica no convento pintando, né Anna? Ou renunciou o nome também?