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Oscar 2015: a última aposta

Finalmente! Chegamos ao último capítulo da saga (e quase na hora da festa). Hora de apostar em quem vai ganhar o prêmio de Melhor Filme do Oscar 2015!

Francis Underwood fica muito feliz!

Francis Underwood fica muito feliz!

Mas antes de começar o jogo, vamos ver os tributos. Daqui a pouquinho, American Sniper, Birdman, Boyhood, The Imitation Game, Selma, Whiplash e The Theory of Everything disputam o título mais cobiçado da noite. E quem será que leva?

Já falamos antes: o Oscar tem uma tradição de premiar os filmes que representam situações trágicas de vida. Caso duvidem, todos os indicados a Melhor Filme são assim.

Em breves e toscos resumos (porque as resenhas vêm depois, gente), American Sniper celebra a vida de um soldado que deu tudo de si na guerra, Birdman trata a desconstrução dos atores, Selma conta as agruras de Martin Luther King na luta pelos direitos dos negros, Whiplash conta o drama do ser que sofre bullying do professor, The Theory of Everything relata a vida de Stephen Hawking e The Imitation Game retrata a vida de Alan Turing.

Tem alguma história feliz aí? Há algum resquício de esperança nessa lista de indicados? Zero. Um desastre aéreo seria mais alegre. A Academia gosta de drama. Muito drama, muita dureza.

“Você esqueceu de Boyhood” – não esqueci. Tá delicado, tá alegre, tá lindo. Só isso já tira o filme do páreo.

Por isso, acho que Selma não vai ganhar – é uma história que não precisava ser floreada. As caminhadas do Dr. King ficaram conhecidas no mundo inteiro pela intensidade e pelo (olha só) drama. A diretora escolheu florear e ficou forçado. Whiplash, pra mim, sofre do mesmo mal: o filme é muito pretensioso e a história é meio forçada. Não convence (gente, você entrou na aula e o professor é uma anta, sai dessa aula e vai viver, é simples). Os velhinhos gostam de drama, mas sem “mexicanizar” a telona. Thalía só é boa no SBT.

Essa é a hora em que tenho que escolher entre três filmes excelentes, que caem direitinho no gosto dos velhinhos da Academia e que possuem igual carga de awesomeness. Novamente, Birdman, The Theory of Everything e The Imitation Game disputando prêmio na unha.

O ator quarentão em crise, o cientista brilhante com ALS e o matemático gay que ajudou a ganhar a guerra e como agradecimento foi criminalizado por sua natureza. São essas as histórias. Muito drama e dor, no ponto pros velhinhos da Academia. Resta saber quem contou melhor a sua dor pra virar o Melhor Filme.

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Não acho que The Theory of Everything esteja no páreo (embora possua uma chance, correndo por fora, porque ninguém tem coragem de dizer não a Stephen Hawking). Birdman, embora encha o meio artístico de tapas de luva de pelica e seja executado de forma brilhante, não mexe com as pessoas como The Imitation Game. Todo mundo está achando que Birdman é o favorito; o Brasil era favorito pra ganhar a Copa de 2014, mas tinha uma Alemanha no meio do caminho. E eu acho que a Alemanha da vez é The Imitation Game. Essa história foi contada como Selma deveria ser contada: quem assiste, não só acompanha o drama de Turing, como começa a pensar no mundo a seu redor e nos absurdos cometidos. O espectador se sente responsável no fim do filme – e acho que isso aconteceu com a Academia também. Eles são espectadores, no fim das contas. Então ficamos assim: 40% das fichas com The Imitation Game, 35% com Birdman e 25% com The Theory of Everything.

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Chegamos, pessoal! É o fim da saga épica das apostas para o Oscar. Espero ter acertado algumas coisas e que vocês tenham gostado dessa série (e se apostaram de verdade com meus palpites, por favor dividam a bufunfa). Mais tarde conversamos sobre as apostas e a realidade dos vencedores. Até!

Lekkerding 236 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.