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Oscar 2015: apostando na direção

Hora de falar das mãos que balançam o berço e governam as câmeras: Melhor Diretor, pessoal. Os tributos (e que a sorte esteja a favor deles) são Alejandro Gonzáles Iñárritu (Birdman), Richard Linklater (Boyhood), Bennett Miller (Foxcatcher), Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel) e Morten Tyldum (The Imitation Game).
Birdman foi conduzido com mão de ferro. Iñárritu fez os atores coreografarem suas cenas, para que estivessem nos exatos locais e posições desejadas durante suas falas e as câmeras filmassem o ângulo que ele queria. E tudo isso foi rigorosamente cronometrado e sincronizado com uma trilha sonora inusitada (só percussão) e muito eficiente. Assim, a tensão da história ressoa em você, espectador, que no ápice da coisa, se percebe sugado pelo enredo forte. Birdman está de parabéns.

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Linklater, por outro lado, não joga com os seus ânimos em Boyhood. Ele joga com a familiaridade do maior personagem do filme – o tempo – de um jeito muito delicado. Nada de mais acontece no filme, mas aí acaba e você é atingido pelo raio da realidade: a vida aconteceu. Demais, até. E isso foi muito bom.

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Wes Anderson fez algo similar com The Grand Budapest Hotel. Ele deixou a vida acontecer na sua frente. Só que enquanto isso, ele fazia questão de mostrar como todas as histórias e todos os detalhes – pequenos e grandes – podem fazer da vida um espetáculo. Ele não deixa a vida passar; celebra cada detalhe. E isso é esplêndido.

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Foxcatcher escolheu um caminho interessante: fez da história principal um mero detalhe. Parece estranho (há quem ache bobo), mas no fim, você se assusta. E entende essa inversão no choque. Como disse… Interessante.

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Aí tem o Tyldum. Ele também contou uma vida em The Imitation Game. Mas a história dele não foi bonita – e ele fez questão de te mostrar isso do começo. A crueza dos fatos foi intensa demais. Ele não deixou o espectador sentadinho vendo a história, ele transferiu todo o peso dela pra ele. Ele fez muita gente entender certos aspectos da vida e da sociedade – e fez doer a percepção do quão errados estes aspectos estão.

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Os cinco diretores devem ser aplaudidos de pé. Mas eu não daria a estatueta pra Foxcatcher, ou Boyhood. O primeiro foi interessante, mas muito arrastado. Quando a coisa engrena, você já desistiu de acompanhar. E Boyhood foi ótimo, mas Birdman, The Grand Budapest Hotel e The Imitation Game brilharam mais.

Aqui, a coisa fica séria, porque…

EU NÃO POSSO ESCOLHER, NÃO ME OBRIGUEEEEM!

EU NÃO POSSO ESCOLHER, NÃO ME OBRIGUEEEEM!

Sério, não dá. Os três diretores viraram sayajins e trouxeram filmes maravilhosos. Como escolher quem fez o melhor trabalho? Impossível. Vou apostar na base do uni-duni-tê aqui. Aposto… 40% das fichas em The Imitation Game, pelo peso da responsabilidade; 30% das fichas vão pra Birdman, pela intensidade do trabalho; e 30% em The Grand Budapest Hotel, pela beleza do “causo contado”.

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Sorry, folks. Mais que isso, não consigo escolher mesmo (a sorte está com eles, de fato). Chega dessa tortura, porque é hora de ver as atrizes e atores coadjuvantes.

Lekkerding 236 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.