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Oscar 2015: apostando nos roteiros

Já falamos de quem ficou de fora da corrida para o Oscar. Agora, é a vez de quem está dentro. Mas vamos por partes. Ou por categorias.

Começo falando daquela coisa básica pra qualquer história virar filme: o roteiro. Seja ele fruto da criatividade pura ou do trabalho de transformação da mídia, sem um bom roteiro, nada acontece na telona. Vamos dar uma olhada rápida nos indicados a Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Roteiro Original? Vamos.

No reino das adaptações, cinco são os concorrentes: American Sniper, The Imitation Game, The Theory of Everything, Inherent Vice e Whiplash. Alguns tem histórias já conhecidas e bem documentadas. E aqui fica minha observação: com exceção de Whiplash e Inherent Vice, não sei porque estes filmes concorrem aqui. Ninguém inovou nas histórias contadas, já sabíamos desses detalhes antes (ok, American Sniper improvisou algumas coisas pra dar mais intensidade na trama. Não era necessário, mas ok). Se você for ler sobre a vida dessas pessoas, você vai achar exatamente aquilo que você viu no filme.

Como premiar a filmagem de uma Wikipedia embelezada como “Melhor Roteiro Adaptado”? O que foi que eles adaptaram, exatamente? Não sei. Já em Whiplash e Inherent Vice… A coisa fica séria. Em ambos, os diretores sentaram e construíram uma adaptação de algo. Whiplash extraiu sua história de experiências pessoais do Damien Chazelle e algumas histórias reais. Em Inherent Vice, Paul Thomas Anderson tinha que adaptar a história E obter a benção do escritor ao mesmo tempo. Deu certo pra ele, Thomas Pynchon gostou. E ficou boa, a coisa. Deu vontade de ler o livro.

Pessoalmente? Acho que Inherent Vice deveria ganhar o Melhor Roteiro Adaptado. Mas pelo frisson da Academia… Acredito que a bola da vez seja The Theory of Everything. Os velhinhos são bitolados em “parecer conscientes” às vezes, e como a doença do Stephen Hawking ainda está na moda (alô você, que jogou baldes de gelo na cabeça o ano inteiro: foi por pessoas como ele), eles precisam acenar pra isso de alguma forma. Se este roteiro não ganhar, acho que eles vão ficar com American Sniper, pra demonstrar patriotismo. Enfim. Aposto 65% das minhas fichas em The Theory of Everything, 30% em American Sniper e 5% em Inherent Vice.

Ok, passando aos roteiros originais… Os concorrentes são Birdman, Boyhood, Foxcatcher, Nightcrawler e The Grand Budapest Hotel. De cara, eu pergunto: o que Foxcatcher está fazendo aqui? Este é um roteiro adaptado, uma novela da vida real. Este roteiro está ocupando o lugar de outros roteiros originais mesmo, como Interstellar. Mas enfim. Os demais indicados são fantásticos, e pelo que vi e li deles, não tem um candidato mais forte que outro. Ok, até tem: Birdman é o que mais recebeu buzz – merecido, viu?

Eu daria o prêmio pra Nightcrawler, porque o roteiro é eletrizante do começo ao fim. Mas sem enrolar. Apostas: 50% das minhas fichas estão em The Grand Budapest Hotel (apesar da atenção recebida pelo passarinho alucinado do Michael Keaton, o hotel maluco foi bem mais aclamado). Nightcrawler e Birdman ficam com 25% de fichas cada. São todos muito bons? Sim. Mas The Grand Budapest Hotel surpreendeu muito, e tem uma maneira muito peculiar de contar a história que se desenrola. A direção é ótima, os atores também, mas esse filme não chegaria tão longe se alguém não tivesse feito a imaginação voar tanto no papel.

Estas apostas tem o Selo Clegane de qualidade.

Estas apostas tem o Selo Clegane de qualidade.

Agora chega de falar de roteiros. Na próxima, a gente visita as trilhas sonoras.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.