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Oscar 2015: injustiças da Academia

Vamos começar a corrida maluca para o Oscar 2015, que acontece em em 22 de fevereiro. Mas a saga precisa ser épica, digna do Oscar. E como todos sabem, toda saga tem um prelúdio, geralmente narrado por Morgan Freeman.

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A que preço?

Como aqui no QG ninguém é parente do Eike Batista e nem amigo das Kardashian, não vai rolar a narração. Mas vamos às injustiças antes – os filmes que deveriam ter entrado na lista, mas a Academia torceu o nariz (porque é besta). Começa o prelúdio.

Cake: Jennifer Aniston merecia um lugar como Melhor Atriz. Ao menos a Adriana Barraza merecia uma indicação de Melhor Atriz Coadjuvante. Não vou desmerecer ninguém no elenco (nem a chatinha da Anna Kendrick), porque todo mundo está de parabéns, mas essas duas construíram uma história envolvente e dolorosa, tão crua quanto Still Alice – que recebeu indicação com a Julianne Moore. Jen e Julie deveriam estar lado a lado nesse Oscar, as duas suaram muito, e deram um banho na telona. Esse filme já apareceu numa lista aqui no Hipnoseries, e sim, recomendo vivamente que vejam.

The Drop: Velhinhos do Oscar, o que o Tom Hardy precisa fazer pra vocês reconhecerem o ator fabuloso que ele é? Ele foi BRILHANTE e não recebeu nem um “parabéns”! Aliás, essa é uma injustiça dupla: foi o último filme do James Gandolfini e ele deu tudo que tinha no personagem. Hardy deveria ser indicado a Melhor Ator, e Gandolfini, a Melhor Ator Coadjuvante. E sinceramente? Sinto que eles tiveram os lugares roubados por interpretações altamente inúteis. Nunca antes na história desse país se viu tamanha injustiça.

Locke: Tom Hardy é lindo e é um ator maravilhoso – e este é um fato incontestável. Mas Locke deveria ser indicado em outra categoria. O jeito de Steven Knight de explorar todas as possibilidades, mesmo tendo um ângulo só pra mostrá-las fez um filme impressionante (e que você deveria assistir) que valia a indicação para Melhor Diretor. Já sei, você vai dizer que esse filme saiu em 2013 e não pode concorrer. Não sou expert nas regras do Oscar, mas pelo que li, concorrem a 2015 os filmes que entraram no circuito a partir de janeiro de 2013. Locke estreou em setembro de 2013. Tecnicamente, ele se qualifica. E por isso, injustiça não colocar na lista de indicados.

What We Do in the Shadows: como assim, o melhor reality show já idealizado não foi indicado para Melhor Filme Estrangeiro? Esses velhinhos do Oscar andam fumando muita sálvia com a Miley Cyrus. Os indicados da lista são candidatos fortes, sim, mas… What We Do in the Shadows tinha muito mais a ver com a linha seguida pela Academia esse ano (histórias verídicas e dolorosas, como The Imitation Game, X histórias leves e fantásticas, como The Grand Budapest Hotel) que Relatos Salvajes, o argentino que não está nem num canto, nem no outro. Injusto, pronto.

Nightcrawler: Injustiça, sim. Mas a Academia aqui tinha um problema. Ela estava dividida entre a interpretação ~fabulosa~ do Jake Gyllenhaal e a interpretação ~maravilhosa~ do Bradley Cooper para Melhor AtorSe não indicassem o Bradley, seria terrível, e não indicar o Jake é terrível também. Sinceramente, acho que Steve Carell poderia ter ido para Melhor Ator Coadjuvante; alguns dos indicados ali nem deveriam entrar no top 10 da Academia. Se tivessem colocado o Carell pra outra categoria (e sim, ele merecia indicação), Jake e Bradley estariam lado a lado, como Jen e Julie deveriam estar.

Então, estas foram algumas das injustiças cometidas no Oscar 2015. Fim do prelúdio. Sabendo quem deveria ter entrado e não entrou… Vamos ver se quem entrou realmente devia estar ali, e se tem alguma chance de ganhar. Mas este é outro capítulo da saga.

Nossa jornada só começou, né Thorin?

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Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.