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Oscar 2015: apostando nas trilhas sonoras

Já vimos o poder que tem uma boa história a ser contada nos roteiros. Hora de comentar o som ao redor. Então, de uma vez só: Melhor Canção Original, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição de Som.

Para canção original, temos “Everything is Awesome”, do Lego Movie, “Glory”, do Selma, “Grateful”, do Beyond the Lights, “I’m Not Going to Miss You”, de Glen Campbell: I’ll Be Me e “Lost Stars”, de Begin Again.

Pra ser sincera, não achei nenhuma dessas merecedoras de indicação; sou da época que pra ter uma música no Oscar, a coisa tinha que ser épica.


Espero que todos tenham em mente que Whitney Houston estava mais bêbada que o tiozinho do bar da esquina enquanto cantava isso. Mas enfim. Vamos por eliminação.

Por mais que eu ainda saia pulando com a musiquinha do Lego, convenhamos que isso não é material pra Oscar. Grateful sofre do mesmo mal. Mas vou dar os parabéns pra tia Rita Ora, que mandou muito bem. Não vou dizer o mesmo do Adam Levine (não, gente, este ser não é bonito e não canta bem. Desistam) e sua Lost Stars. Talvez seja a antipatia falando, mas é o que acho.

Então, são duas. Glory, de Selma, e I’m Not Going to Miss You, de Glen Campbell: I’ll Be Me. Acho que quem vai levar é Glory. A música transmite o peso da história retratada e consegue se destacar do filme. Aposto todas as fichas nela.

Na edição de som, os concorrentes são American Sniper, Birdman, O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos, Interstellar e Unbroken. Muito cachorro grande num canil só; assim fica difícil girar o pião, Sílvio. Mas enfim.

Elimino American Sniper e Unbroken de cara, porque não vejo complexidade grande na montagem. Injusto com Unbroken, que exigiu bastante da equipe, mas perto dos outros 3… Não. E embora eu respeite muito o trabalho do Peter Jackson em trazer o maior conto de fadas das crianças inteligentes às telonas, o último filme do Hobbit não foi tão primoroso nos sons ao redor como seus antecessores. De novo, sobram dois: Birdman e Interstellar. Dois trabalhos sonoros majestosos. Fabulosos. E…

EU NÃO POSSO ESCOLHER, NÃO ME OBRIGUEEEEM!

EU NÃO POSSO ESCOLHER, NÃO ME OBRIGUEEEEM!

Não dá pra escolher e não quero ser Sofia, não me obriguem. Vou dividir as fichas: 50% ficam com o pássaro alucinado do Michael Keaton, e os outros 50% ficam na fantástica viagem do Matthew McConaughey.

E por último, a coisa que mais gosto: as trilhas sonoras. Acho incrível a definição que a gente tem de um filme só pela música a ele associada, ou pra ele feita. E nessa categoria, temos os seguintes (e poderosos) concorrentes: The Grand Budapest Hotel, The Theory of Everything, Interstellar, The Imitation Game e Mr. Turner.

Antes de começar a eliminar, sou obrigada a dizer que foi difícil pensar em quem a Academia não consideraria – é impossível não considerar nenhuma dessas trilhas, elas são lindas. Não tem nada mais ou menos aqui, tá tudo primoroso.

Acho que tiraria Mr. Turner e The Grand Budapest Hotel do páreo. Não por serem menores, mas por serem mais simples que as demais. E como já vimos nas edições anteriores, simplicidade não vai longe com os velhinhos da Academia. Interstellar é lindíssima, talvez o melhor trabalho do Hans Zimmer até agora. The Theory of Everything também é maravilhosa, e agrega muito ao filme.

Mas acho que quem leva aqui é o Alexandre Desplat com o ode emocional que ele fez para The Imitation Game. Ainda que Hans Zimmer tenha construído sinfonias mega elaboradas (e o Hans até aprendeu a usar mais de 3 notas pras suítes!), ele não conseguiu transcender o filme. Jóhann Jóhannsson conseguiu, mas não tanto quanto Desplat – eu ouço a última suíte de The Theory of Everything e penso na última cena do filme. Até suspiro pela inspiração que Stephen Hawking é, mas acaba aí. Eu ouço a última suíte de The Imitation Game e penso no filme inteiro, na pessoa retratada, na injustiça do mundo com esse exato tema no centro, tenho vontade de mudar isso, censuro o próximo pelo preconceito. Eu sou movida pela música a rever o problema.

As composições do Desplat nesse filme impulsionam muito mais que as composições de Zimmer e Jóhannsson. Então, aposto 70% das minhas fichas em The Imitation Game. 25% ficam com The Theory of Everything e 5%, com Interstellar.

E falei demais já. Apostas feitas. No próximo capítulo da saga, a gente coloca as fichas na produção da coisa: maquiagem e efeitos. Até lá.

Lekkerding 236 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.