Para 2015, eu desejo que…

Garotadinha, o movimento de translação está quase completo e lá vamos nós para mais um turno no planetinha. A jornada de 2014 foi particularmente terrível – fora as dificuldades particulares, vimos coisas coletivas demais, pesadas demais, enfim… Tudo demais. O que é demais, sobra, vai pro lixo, vira desperdício, e desequilibra, né? 2014 sobrou.
Que 2015 não sobre, ou sobre menos. Que em 2015 possamos alinhar as energias ao cosmos e aproveitar o máximo do que temos (de bom) nessa pequena massa azul, vizinha da estrela mais linda desse sisteminha. Que consigamos evoluir, ao menos um pouquinho, como seres vivos, humanos, sociais e políticos. E que possamos nos aproximar um pouco mais desse espetáculo fantástico que é a existência da vida no Multiverso.
Que em 2015, tenhamos mais gente idolatrando a Viktoria Modesta e menos gente torcendo pelo Bolsonaro no Jô Soares. Que nossos Estados fiquem mais laicos e sensatos com a coletividade, e que menos correntes do WhatsApp venham ditar o que devemos votar para as crianças desse planetinha. Que menos pessoas usem a religião para simplesmente discriminar os outros e realizar atos de barbárie.
Que em 2015 sejamos mais responsáveis com os atos administrativos e da Administração. Que pensemos, antes de sair às ruas gritando por qualquer coisa. Que tenhamos o bom senso para questionar o que vemos e lemos, em vez de replicarmos asneiras sem sentido. Que possamos arguir nossas opiniões com fatos, não com ofensas. Que respeitemos  mais a vida, e não a vida de acordo com o que achamos que se classifica como tal. Que não fiquemos calados diante de qualquer tipo de violência no Metrô, mesmo que os agressores sejam skinheads. Que paremos de lavar a calçada e comecemos a construir cisternas, fazer encanamentos inteligentes, armazenar as águas da chuva para uso – e que entendamos que “reuso” NÃO tem acento.
Que tenhamos mais gentileza no coração. Menos medo. Mais sinceridade. Que recusemos solenemente as entradas no Sea World e similares, para vermos os seres marinhos nos seus lugares. Espero sinceramente que em 2015 as pessoas troquem o BBB pela Vida Autoral. E que prefiram uma volta no MASP às terças à praça de alimentação do Pátio Higienópolis aos sábados, porque sábado é dia de piquenique na praça Buenos Aires. Em 2015, menos “me deisha” e menos “quanta agressividade por discordar de mim” e mais “vem junto” e “entendo seus argumentos e espero que entenda os meus”.

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Desejo que em 2015, as pessoas procurem mais os advogados, e menos o Celso Russomano. Que a OAB faça menos pose e cumpra mais seu papel. Que o Ministério Público siga o exemplo. Que a Defensoria ganhe mais e lute mais. E que os juízes e desembargadores esqueçam a juizite aguda e retornem às origens da luta pelo Direito. Que os parlamentares esqueçam seus salários, recessos, verbas indenizatórias e regalias, e lembrem que estão ali para nos servir. Que Dilma Rousseff consiga ver e ouvir as razões da oposição, compreender as vontades da população, contornar os desígnios do cenário econômico e social e faça um bom governo – ou que ao menos, não erre tanto quanto errou no último. Que os governadores eleitos (e os reeleitos, viu Chuchu Alckmin) compreendam que não são monarcas absolutos, mas servidores do povo. Que todos nós acordemos pra entender somos povo, e mandamos nisso que chamamos Brasil. E que juntos, os seres que ocupam os cargos da Administração consigam, com nossas orientação, chegar à construção da tão-sonhada sociedade livre, justa e solidária, que promove o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, registrada na Constituição.
Eu sei, sonho muito alto. Mas são estes os votos para 2015. Se conseguirmos 1% disso tudo, é um bom começo; então estou enchendo 2015 de esperanças e boas energias. Espero que o Multiverso me ouça, e que as mudanças comecem aqui.
Pra você, que acompanha este blog, com todas as falhas, desde o começo: agradeço muito. Você, que acabou de chegar: seja bem vindo. Vamos juntos na Jornada 2015. São muitos os planos pra ela, e o futuro é cheio de possibilidades.

Chega mais, 2015, o palco é todo seu.
Chega mais, 2015, o palco é todo seu.