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Politik

“O Brasil é o país do futuro.”

Essa frase costuma render gargalhadas. Sorrisos amarelos, e constrangidos. Na pior das hipóteses, acenos de reprovação. O certo é que ela já não provoca manifestações de alegria e satisfação. Mas por que isso ocorre? Porque os brasileiros já não se entusiasmam com a premissa?

País do futuro… Há quanto tempo escutamos isso? Muitos nasceram e cresceram no país do futuro, que nunca chega. Um futuro que de tão distante parece lenda.

Ok, estamos todos esperando a visita ilustre do futuro, mas… Quanto deste futuro depende de nós? O futuro pertence àqueles que se preparam hoje para ele. Dito isso, será mesmo que o futuro descerá dos céus de braços e abraços com todos os nossos sonhos no trem de Raul Seixas? Ou precisamos trabalhar – e muito – para construir este futuro? Será que, de tanto esperar o futuro chegar, esquecemos de preparar a sua chegada, trabalhando duro para esse caminho? O futuro começa no presente. Começa hoje. Com o nosso discernimento, com as nossas escolhas. Porque assim se constrói uma nação. Grandes países não caem do céu estabelecidos, com toda a sua estrutura pronta e planejada no Excel.

Considerado a décima economia mundial, com um PIB de US$ 1,936 trilhões em 2008, tido como nação de classe média alta, e onde o trabalhador médio entrega cerca de 5 meses do valor de sua força de trabalho em tributos, com infinidade de recursos naturais, profissionais competentes em todas as áreas, centros de pesquisa internacionalmente reconhecidos como excelentes, donos de um dos sistemas legislativos mais completos e avançados do mundo atual e um dos pouquíssimos países possuidores da tecnologia de enriquecimento de urânio para fins benéficos, o Brasil ainda é o dito país do futuro. Com tantos predicados, o que nos falta para deixar de ser futuro e finalmente virar o país do presente?

E levanta a mão o aluno aplicado na sala de aula, com a resposta na ponta da língua. “O problema são os políticos!”. Mas seriam os políticos mesmo a raiz do problema? Os políticos são tão brasileiros quanto eu que escrevo, quanto você que lê, quanto o aluno aplicado que levantou a mão. Por que tudo é culpa deles? Porque eles estão no poder? Muitos deles estão no poder desde os tempos de ditadura, e mesmo com toda a sorte de escândalos de roubos, corrupção, favorecimentos e usos indevidos dos recursos que vem dos cofres públicos – que de públicos não tem NADA, porque são nossos cofres, nossos impostos, nosso trabalho. Eu detesto que mexam nas minhas coisas sem minha autorização e sem dizer para quê. E você? – eles continuam lá, em seus lugares. Por quê eles estão lá, no poder? Porque eles querem? Ou porque nós os colocamos lá?

Mesmo com todas as coisas que correm nos jornais, nas revistas, na TV e agora na internet, nós sistematicamente votamos nas mesmas pessoas que depois aparecem nos mesmos escândalos. Só mudam os números e os personagens; a história nunca muda. E de quem é a culpa? É só dos chamados políticos? Nós sabemos quem eles são, e sabemos que farão as mesmas coisas sempre. E então, por que perpetuamos o ciclo?

Estamos em ano eleitoral. Um ano eleitoral recheado de escândalos – com as mesmas pessoas, no mesmo cenário, na mesma praça, no mesmo banco… E muito se discute sobre políticos e política. Quem é o político mais popular no Twitter, qual a política dos atos secretos, quem foi o político que empregou mais parentes… Em todo canto, pipocam as palavras, mas nós realmente sabemos o que elas significam?

O que é política? Quem são os políticos? Qual o papel deles no futuro do país? O que eu e você temos a ver com isso? E por que é que essas palavras grandes e bonitas atrasam tanto o cruzeiro do país do futuro?

Posso não ter todas as respostas, mas tenho as mesmas perguntas que você. E estamos juntos nesse barco do futuro.

Originalmente postado no Link Ninja em 25 de junho de 2009.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.