Prova de fogo – ou não

Ahá, peguei vocês. Segunda-feira, trabalho, todo mundo triste porque o Brasil perdeu no futebol e… Enfim, não é disso que venho falar. Quem conhece, sabe do profundo desdém nutrido pelo futebol (a não ser que falemos do Corinthians).

Resolvi postar hoje porque tive uma visão. No domingo fatídico, onde você, torcedor tupiniquim, amargou a derrota para o Paraguai, vários estudantes de Direito – formados ou treineiros – prestaram o famigerado Exame da Ordem. Foi difícil, foi terrível, mas enfim. Todos sabemos onde vai dar. Quem não conseguiu, é só voltar na próxima; quem quase conseguiu, que seja bem vindo ao Hall dos Mandados de Segurança para ganhar a carteira na “raça”; quem conseguiu, parabéns. Mas enfim.

Claro que depois de toda prova tem a discussão sobre a constitucionalidade (ou não) da provinha chatinha da OAB. Muitos a favor, muitos contra… O assunto anda tão controverso, que seria prudente pra OAB organizar uma “Parada Legal”, nos moldes da Parada Gay. Há muita “OABfobia” no Brasil, na minha opinião.

Enfim. Também não vim falar se o exame é ou não constitucional. Gostaria apenas de tecer alguns comentários sobre a validade da prova em si.

Há quem diga que o Exame de Ordem não serve de filtro pra nada. Bom, talvez não sirva. Mas vejam, a OAB está cobrindo – mal, mas pelo menos tenta – a deficiência de base. Porque filtro acadêmico começa no famoso jardim de infância. Não é à toa que temos ensino básico, fundamental, médio e superior: é cumprindo essas etapas que o ser humano vai provar se está apto a seguir determinada carreira. Agora, se ele chega na porta da carreira levando com a barriga e com o mínimo do mínimo do ensino básico na cabeça… É culpa da OAB que ele não passa? Ou culpa dela que ele passa na base do decoreba e vai virar um adEvogado de enésima categoria? Acho que vocês tinham que encher a dona Dilma com isso, não o D’Urso. Pobre D’Urso. Ele já sofre bullying por ter cara de bobo. Tenham dó.

Há quem diga que não existem exames assim em outras carreiras. Ahá. Vocês acham mesmo que ninguém precisa de nada pra exercer Medicina? Só terminar a faculdade e acabou? Ledo engano. Você se forma médico em 6 anos, correto. Mas para exercer qualquer especialidade, você precisa passar mais 6 anos fazendo residência. A boiada do Design Gráfico já acabou: 4 anos estudando, e quem não sai da faculdade encaminhado, com estágio, dança. Engenharia? No mínimo, 5 anos estudando, com a mesma pegadinha do Design Gráfico. Economia? Parabéns, você conseguiu uma carreira pra estudar e ser testado a vida inteira – porque todo trabalho vai exigir um teste rápido pra saber se você entende do assunto. E então ainda acham que a OAB é a única com “frescuras”?

Há quem diga que carteira da OAB não serve pra nada. Suzane Von Richtoffen discorda, MUITO, do fundinho de sua cela comum, super lotada e fedida. O juiz Lalau, ali na casa super modesta no Morumbi, deve rir bastante dessa. Mas convenhamos que a carteira tem outros privilégios… Estes são só os mais notórios.

– E… Sejamos sinceros. O que vocês preferem? Conseguir uma carreira na base do esforço, ou twittar duas coisinhas de relevância média pra serem chamados de jornalistas?

(não sei se a palhaçada do “todos jornalistas” ainda existe, mas…)

Eu sei, o Exame da Ordem tem um monte de falhas, às vezes se esquece das coisas, etc. Mas este é um assunto pra outro post. Calma, não disse que esse será o próximo!