Quem ganhou essa corrida eleitoral?

Ressaca eleitoral? Eu também tenho. Estas eleições tinham algo a mais: o PT abocanhou cidades politicamente poderosas, como Sampa. Tudo isso com o julgamento do mensalão correndo. Será que ninguém estava prestando atenção, ou resolveram dar passe livre ao PT?

Nem um, nem outro. Desde que foi aberto o julgamento, as pessoas querem que o PT “pague pelo que fez”.

“O PT não está no processo” – eu sei bem disso. Mas quando as pessoas se referem aos réus do mensalão, dizem “PT”. Prestem atenção nas conversas de ônibus.

Há quem cite Joaquim Barbosa como se fosse Shakespeare. Os réus precisam devolver o que roubaram, ou ir para a cadeia. Ou os dois. Mas ninguém diz que o Zé Dirceu precisa fazer isso, ou o Genoíno. Dizem que o PT deve fazer. Elas entendem que o partido é tão criminoso quanto seus componentes.

As pessoas estão prestando atenção. E também não deram salvo conduto ao partido. O povo desaprova aquele candidato, ou o partido a que é filiado… Mas elege mesmo assim. Que bruxaria é essa?

Não ocorre só aqui. Obama tem índices de desaprovação altos, e assegurou mandato. Não é bruxaria. É política. Nesses casos, há um elemento que “prende” o eleitorado. Há uma bandeira, por assim dizer, necessária, que só aquele cara desmoralizado consegue levar.

Para Obama, há a continuidade do trabalho. O maior trunfo democrata foi esse: “passamos 4 anos consertando o estrago anterior”. O pragmatismo é evidente. “Vocês podem não gostar de mim, mas não dá pra negar que só eu estou fazendo isso”. É praticamente a oferta irrecusável de Dom Corleone.

No Brasil, alguém usou a influência que tinha pra conseguir fechar o pacote. Para o PT, esse alguém foi Lula.

Um simples gesto foi longe…

A política tem esse aspecto maquiavélico: às vezes, o pragmatismo não basta. Lula tem uma influência enorme com as massas, que reside principalmente em personificar o sonho de muita gente. Qualquer um que tente antagonizar isso diretamente será hostilizado.

Não foi vitória do PT, mas derrota dos demais partidos.

“Mas o Lula não concorreu a nada” – não mesmo, mas a partir do momento em que Lula colocou o rosto num programa eleitoral dizendo “este é meu candidato”, conseguiu “imunidade partidária” ao ser. Cada propaganda falando mal do PT e do Lula ganhava votos para quem ele, Lula, apoiava. O partido nada teve com isso. Aliás, se os candidatos tivessem concorrido com a legenda o tempo todo, estariam queimados. O PT apareceu muito pouco nessa corrida eleitoral, justamente por estar em maus lençóis com as pessoas.

O PT não ganhou nada; provavelmente o partido nunca esteve tão à margem dos trabalhos. Quem se esforçou foi o Lula. E os outros partidos perderam a corrida por não sacarem as regras. É o jogo dos tronos, e quando você entra nessas, ou vence, ou morre. R.I.P. Serra Stark. Mas ficam duas perguntas. A primeira: o Lula esticou sua influência ao limite do aceitável nessa campanha. Será que ele consegue o feito daqui a dois anos? E outra: seriam os outros partidos capazes de criar uma força política tão influente quanto Lula?

Deixo pra vocês responderem essas nos comentários. Gostando ou não, o cenário político do Brasil é esse.

Sempre digo que política é super legal. Não parece o BBB? Pois então. Vamos acompanhar as próximas edições.