Rapidinhas do CDC

Sexta-feira. Alguns no Youpix, outros em happy hour, outros em casa – como eu, cansados, sem uma nota falsa que seja no bolso (poxa, o Sarney anda com várias, e eu, nada), com muita coisa pra fazer, e… Tempo? Isso é relativo. Mas vamos que vamos. Notinha rápida, sem stress.

A situação é muito comum. Acontece com todo mundo. Já aconteceu comigo. E vai acontecer com você também.

Todo mundo já fez compras online em alguma loja popular. O problema de escolher roupa a olho, é que você não tem jeito de saber o que pode dar errado. E não que a loja vá informar.

Aí, chega a linda roupinha escolhida na sua casa. Toda lindinha, toda novinha, toda… OPA! Toda errada. E então, como lidar?

A loja não é mais sua amiga. Agora, você não pode mais trocar sua roupa errada em várias vezes no cartão de crédito, ou em qualquer agência 24 horas. Pra comprar, foi um clique. Pra trocar, ou ter seu dinheiro de volta, é a saga das 12 casas. Maravilha.

Nessa hora, há quem faça beicinho, quem movimente as redes sociais numa Marcha contra as Compras Online e quem queira reclamar o que é seu, por direito. Quem quiser negociar nessa hora, está certo. Quem quiser sacanear a loja, também. E quem quiser levar o caso ao conhecimento do Judiciário, também. Parabéns, nota 10 pra vocês – e sem sarcasmo.

Mas sempre tem quem diga “Vai pro PROCON, você vai ver!”. Todo mundo quer o Tio PROCON.

Sejamos sensatos: PROCON não é brinquedo. Ele está ali para informar e fiscalizar. Ele não é seu advogado, e o máximo que ele vai fazer é tentar um acordo entre você e a empresa. Se não der, ele vai chutar a bola para o meu, o seu, o nosso grande amigo Poder Judiciário. E você vai acabar exatamente onde começou: com uma pendenga nas mãos pra ser resolvida.

Não quero matar a formiguinha de ninguém, mas o PROCON não serve pra resolver coisas individuais. Ele está lá pra comprar brigas grandes, que afetem o coletivo de forma colossal. Estes órgãos governamentais, sejam eles agências reguladoras, autarquias, procuradorias ou afins, só se mexem pelo todo. Pelo coletivo. E o coletivo, amiguinho, não é o seu umbigo. Nem o meu, mesmo que eu queira muito.

Ainda bem. Imaginem COMO os fóruns estariam abarrotados se o PROCON resolvesse comprar todas as brigas entre lojas e consumidores. Eu não quero conceber esse horror.

Levar esse tipo de coisa pra lá sobrecarrega o sistema. Olha que lindo. Você não resolve o seu problema e ainda atrapalha a resolução de outros problemas mais sérios. Sensacional.

A dica: acreditem em si mesmos e valorizem o advogado. O CDC gosta de ser usado, como todas as leis desse Brasil varonil. E você tem plena capacidade pra isso: consulte um advogado, ou procure a Defensoria Pública – estes sim, seus campeões. Eles vão comprar a sua briga.

Eu disse, nota rápida. Só pra terminar a semana. Analisem, por favor. Às vezes, procurar o órgão de defesa de o que quer que seja não é buscar seus direitos; é empurrar o problema com a barriga dos outros.