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Saudades: Nirvana

Hoje é sexta, dia de festa e alegria. Todo mundo planejando a balada boa da noite; os mais phynos e rhycos pretendem chegar ali na Vila Olímpia, quem sabe ir de helicóptero pra Angra dos Reis… O importante é se divertir, certo?

Mas não vamos deixar o dia passar em branco. Os novinhos podem não lembrar (ou saber), mas este é um dia pra se respeitar – e celebrar muito – o rock. Hoje, há 19 anos, Kurt Cobain disparava uma espingarda contra o próprio queixo, marcando não só o fim de sua vida, mas de uma era muito querida para os adolescentes roqueiros da época: o grunge. Nós só soubemos disso – e choramos feito menininhas – 3 dias depois, quando o corpo do nosso herói (desculpe aí, Eddie Vedder, mas é o que é) foi encontrado.

Foi um momento muito triste. Até hoje, é controverso: tem gente que acredita que ele forjou a própria morte pra fugir da fama, tem quem diga que Courtney Love mandou matar pra ficar com a bufunfa (e o posto automático de rainha do grunge), e há quem ache que foram os membros da banda que mataram Kurt, pra ficar com direitos autorais. Nós nunca saberemos. O que sabemos é que a perda foi imensa, mas não foi surpresa. Kurt Cobain concorria com Jim Morrison e Janis Joplin no quesito “uso de drogas na velocidade da luz”. Querendo ou não, sabíamos que perderíamos esse mocinho (ele era lindo, ok?) cedo.

A música parou um pouco quando ele morreu. Talvez porque o Nirvana foi aquele grupo. Toda geração tem aquele cantor, ou aquele grupo, que muda as regras do jogo. E o Nirvana fez isso. Eles não só popularizaram o rock (como nunca antes na história de nenhum país), como colocaram o cenário alternativo no mapa. O indie finalmente ganhou um lugar ao sol. Sem Nirvana, não teríamos o Mano Flores arrasando corações no Lollapalooza. Já pensaram nisso?

"Quero agradecer o Tio Kurt, sem ele eu não teria ninguém suspirando por mim!"

“Quero agradecer o Tio Kurt, sem ele eu não teria ninguém suspirando por mim!”

Até hoje, músicas do Nirvana, ainda que num karaokê da vida, tem uma aura meio mística. Algo que só vejo acontecer com bandas como o Doors. As letras de Jim Morrison parecem uma conexão cósmica com algo muito maior que ele, que nós, que o próprio universo, digamos. As letras de Kurt Cobain trazem uma conexão sombria com alguma coisa primitiva, dentro de cada um. Como se Kurt Cobain fosse um xamã do rock, convocando as forças ocultas do ser humano em suas canções.

Talvez eu esteja exagerando. Talvez eu seja uma dessas fãs malucas, que fica cultuando ídolos – eu não me vejo assim, mas quem enxerga a verdade sobre si mesmo? – como se fossem deuses. Talvez eu esteja redondamente e quadradamente errada. Pelo menos o Dave Grohl concorda comigo, então tá tudo bem.

Dave+GrohlHá uma razão para que você não veja músicas do Nirvana em comerciais de chiclete. Krist e eu fizemos o nosso melhor para prevenir que este tipo de coisa acontecesse. Nós temos orgulho de nossa integridade e de nossa banda. Nós entendemos o mundo em que vivemos, sair do nada para se tornar o que hoje as pessoas entendem por Nirvana, mas nó realmente tentamos nosso melhor para manter a distância. É algo que Krist e eu ainda fazemos. Há uma razão para o Foo Fighters não detonar músicas do Nirvana toda noite: porque nós temos muito respeito por elas. Você sabe, isto é terra santa. Nós temos que ser cuidadosos. Estamos pisando em ovos. Nós nunca falamos sobre isso antes, mas a oportunidade na verdade nunca surgiu, ou não pareceu algo correto.”

Enfim, já comecei a divagar. Eu queria fazer uma lista, escolher 10 músicas boas do Nirvana e deixar quem ainda lê este espaço com uma sexta-feira de rock na veia (eu fiz isso: enchi o texto de links pra músicas bacanas, fiquem à vontade). O problema é que todas as músicas do Nirvana são boas. E o rock, hoje, paira sobre todos nós, querendo ou não. Então saiam e se divirtam à vontade. Tem Shakesville no Astronete hoje. O Beco 203 tem lá sua Indie Rokkers. E tem uma centena de outros inferninhos na Augusta preparados pra celebrar. Kurt, você se foi. Mas nunca deixaremos de prestar homenagens, mantendo seu legado vivo e suas músicas no último volume.

Ok, chega de ser sentimental, certo? Até a próxima, pessoal o/

Lekkerding 236 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.