blog-post-img-2167

Top 10: Material Girl

Alô vocês! Pequena mudança de planos hoje. Esse post seria sério, mas a ocasião mudou completamente. Hoje é dia de celebrar!

Sabem por quê? Porque hoje é aniversário de uma garota muito especial. Há 53 anos – e ninguém diz isso, olhando pra ela – o mundo recebia aquela que, com Michael Jackson e outros monstros de sua época, mudaria pra sempre o cenário da música. Em 16 de agosto de 1958, nascia, em Bay City, Michigan, Madonna Louise Veronica Ciccone.

Suas muitas faces influenciam gerações desde seu debut nas paradas, em 1982, com a música “Everybody”. Eu nem nascida era, mas danço com todas as forças até hoje! Aposto que muitos de vocês também não conseguem segurar o esqueleto quando ouvem qualquer música da Tia Madonna.

Apesar de ser uma musiquinha grudenta só pra manter o pessoal feliz na discoteca, Everybody caiu no gosto do pessoal fora das pistas de dança, e tornou a Blonde Ambition um ícone em ascensão. Seu talento foi confirmado no álbum de estréia, que tinha Holiday, Borderline e Lucky Star entre suas faixas. Madonna já era uma estrela, antes mesmo de sua música mais famosa – que todo mundo sabe qual é – sonhar em ser composta.

Adivinhem quem continua arrebatando corações e corpos desde então? Pois é! Com um rosto novo a cada disco, um fôlego de matar em cada turnê lançada e uma forma de dar inveja a todas as mortais e pseudo-divas por aí – viu, Bitchney? Tia Madonna teve filhos também, e voltou gloriosa do hospital – Madonna é única, e certamente, a última dos deuses do pop.

Bom, posso rasgar seda pra Material Girl o dia todo, mas nem todos têm paciência. O importante é que viemos prestar nossas homenagens no Dia Internacional de Madonna. Hora do Top 10 da aniversariante! Vamos lá?

10 – Cherish

O clipe e a música são fantásticos. Olha a tia Madonna quebrando fronteiras aqui: a paisagem é super simples, a maquiagem é quase nula, a filmagem poderia passar despercebida… Se não fosse um detalhe: SEREIOS!

Pra mim, Cherish marca o ínicio da fase “I dare you” da Madonna. Aqui, ela deixou de ser mais uma cantora pra ser um ícone, constantemente desafiando os parâmetros da sociedade. Apesar de termos Like a Prayer e Express Yourself nesse mesmo álbum, pra mim, Cherish ganhou de longe; não é tão chocante como queimar cruzes, e nem tão aberto politicamente, mas a sutileza da mensagem é sensacional.

Dominar a criatura dos mares que é metade peixe e metade humana sempre foi objeto de fantasia masculina. Ninguém pensava em sereios, isso era uma abominação sem precedentes.

Aí vem a tia Madonna, num domingão ali na praia, e faz o quê? Domina os lindos sereios com seus olhares de comercial de Molico. Ela não trava batalhas terríveis no mar, nem nada disso – como ocorre nas fantasias masculinas com as sereias. Ela só precisou cantar e mostrar o vestido molhado (e o olhar de Molico, não esqueçam). Recado: não preciso fazer tipo pra ter o que quero, só preciso ser eu mesma. Feminismo, 10 x 0 nesse clipe!

Isso, só falando do clipe. Não preciso dizer que ela está linda, e também não preciso dizer que essa é uma das músicas mais legais dela, certo?

9 – Love Profusion

Uma vez, num VMA, a MTV americana fez um quadro com todas as fases da carreira de Madonna representadas por drag queens. Duvidam? Então vejam aqui (a partir de 4:36):

A Material Girl é idolatrada no mundo drag, com todo seu glamour. Esse clipe é simples, mas a maneira como Madonna se porta em sua passarela de flores imaginárias mostra por que ela é a diva de todas as divas.

8 – Bedtime Story

O que acontece quando a Rainha do Pop junta forças à Rainha da Música Eletrônica? A gente só ganha. Madonna e Björk fizeram essa parceria em 1994. Apesar da reclamação de Björk – Madonna teria cantado algumas partes da música de forma diversa do composto – a música é excelente; não precisamos usar drogas pra relaxar quando temos esse tipo de música à disposição. O clipe, dirigido por Mark Romanek, é considerado um dos mais belos e artísticos da cantora, tendo lugar garantido no acervo do Museu de Arte Moderna de New York.

7 – Secret

Então, Madonna visita o gueto. O que você acha que sai disso? A resposta é Secret, música do álbum Bedtime Stories – o mesmo da parceria com Björk. Esse álbum é meio que divisor de águas na carreira da cantora, pois marca o fim da fase “chocante” de Madonna. Daqui pra frente, ela fica mais suave. Recatada, até. Mais concentrada na arte e na interatividade. Ela não deixou de ser desafiadora por isso; mas os álbuns anteriores marcam por desafiar a sociedade fisicamente e quebrar barreiras visíveis. Aqui, ela muda a estratégia. Está dando certo até agora.

Todos os clipes de músicas do Bedtime Stories contam com simbologias intrigantes e histórias bem construídas. Secret não foge à regra.

Curiosamente, essa faixa do disco foi lançada na internets – antes da briga com o Napster.

6 – Justify my Love

Pessoalmente, não acho que seja o clipe mais sexy ou escandaloso. Também não acho que seja uma música assim, fantástica. Mas convenhamos, o conjunto aqui é um enigma. Ela conseguiu juntar a maioria das taras humanas em imagens absurdamente sugestivas e com uma melodia quase criminosa, de tão sensual. O engraçado é que todos os elementos aqui são contraditórios: imagens, ritmo, palavras, gestos… Nada disso casa. E ainda assim, tudo em perfeita harmonia. Acho que Freud teria problemas pra explicar esse vídeo – e provavelmente, jogaria a culpa na mãe.

5 – You’ll See

Pra todas as adolescentes que votaram nesse clipe na época do Disk MTV, essa é a I Will Survive moderna. Para os fãs de Madonna desde o comecinho, isso é um disparate. Sem curvas, sem imagens chocantes, sem desafios. Certeza que não? You’ll See faz parte da coletânea Something to Remember, fica na fase – se é que é fase, ela sempre foi fã – espanhola da tia, e vem um pouco antes da metamorfose total de Evita. Analisem isso, ela diria.

4 – Goodnight and Thank You

Bom, há quem diga que essa foi a pior fase musical da Material Girl. Discordo solenemente, e não estou sozinha nessa. O Globo de Ouro deu a estatueta de melhor atuação pra Madonna por esse filme. E apesar de uma carreira meio pífia nas telonas, a diva acertou em cheio aqui – justamente na fase em que se dedica mais às artes que aos desafios, ela espanta a todos mostrando muito talento. Goodnight and Thank You é, na minha opinião, uma das melhores músicas do filme. Pena que não foi para as rádios.

3 – The Power of Goodbye

Essa é do álbum Ray of Light, da fase “Mamãe Renovada”. Tenho um carinho particular por esse álbum, e acho que Moby tem inveja; tudo que ele queria ser na música eletrônica, tia Madonna foi num disco só. As músicas têm sentidos mais profundos, melodias contagiantes e um estilo bem peculiar – Madonna e a música eletrônica vivem em flerte, mas a união nunca foi tão explorada quanto nesse disco. Os clipes derivados de Ray of Light também são uma delícia na fotografia; The Power of Goodbye é o mais lindo desse álbum. E o plus pra todas as mulheres: suspiros mil por Goran Višnji?, todo lindo no clipe.

2 – Don’t Tell Me

Tia Madonna sempre flertou com a internets. Era uma coisa tímida, discreta, quase vitoriana. Caso o barraco com o Napster não tivesse ocorrido em 2000, talvez ela fosse hoje uma das magnatas da indústria. Ok, a briga existe. E como fazer as pazes? A resposta é Don’t Tell Me. A música, que não é bem dela, mas do cunhado, foi gravada cheia de “travadinhas” e pulos, como se fosse um download defeituoso. Até o som é estranho em algumas partes da música: parece que vamos ganhar uma BSOD a qualquer momento. Do mesmo jeito que chama atenção para os problemas que podemos enfrentar com arquivos a La Pirate Bay, também dá crédito ao que os internautas fazem.

1 – Get Stupid

Essa é recente. Aliás, nem música é. Esta é uma intro da turnê Sticky and Sweet, mas mostra o que Madonna faz de melhor: usar a música para a realidade. Tantos grupos e cantores fazem música pra esquecermos o mundo, sem perceberem que a música pode mover o mundo e moldar a realidade que vivemos. Bod Dylan sabe disso, Ray Charles sabia, Michael Jackson sabia, Chico Buarque sabe, e tia Madonna também. A controvérsia em torno do vídeo foi grande, mas o objetivo foi alcançado – veja até o fim, e você entenderá. Pra quê políticos? Vamos colocar bons artistas com cérebro no poder.

EXTRA: Vogue

Se Mademoiselle Chanel fosse viva quando esse clipe estreou, teria incorporado Madonna ao estilo da Maison Chanel.

EXTRA: Hung Up
Porque nem o ABBA achava a música tão legal, até tia Madonna incorporar.

EXTRA: Beautiful Stranger
Austin Powers só ficou bacana depois que tia Madonna chegou perto.

EXTRA: Get Together
Porque eu ADORO essa música e porque tenho certeza que o beat dela veio das mãos de Andy Moor.

EXTRA: Get into the Groove
Porque essa música tem o mesmo efeito de Thriller em 13 Going on 30: todo mundo dança, não tem jeito.

Gente, é isso. Poderia passar horas falando das músicas e dos clipes – sinto que faltaram muitas coisas ainda. Mas deixemos assim, e quem tiver algo a acrescentar, pode dividir com a gente no Facebook. O Hipnoseries registra sua singela homenagem à loira mais louca de todos os tempos, nossa querida Maddie. 53 aninhos. E você, acredita?

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.