Vou deixar?

Desde já, peço perdão; ninguém dá audiência para as coisas do coração – a não ser que estejam na novela das 8. Mas eu peço licença para tratar deste assunto de maneira pessoal.

Já trouxe esse tópico milhares de vezes, e não canso de repetir. O problema é não aproveitarmos o que temos à mão, para obter o tal do poder.

Antes, o monopólio da notícia era dos grandes nomes da imprensa. Não precisamos mais esperar o Cid Moreira ou a Glória Maria falarem sobre para sabermos o que acontece – no resto do mundo, porque não nos interessamos de verdade pelo que ocorre no país.

Alguém sabe o que anda acontecendo lá na Casa Legislativa? Digo, saber MESMO, não estar por dentro. Estar por dentro é ler o título da notícia no jornal e passar batido. Saber é acompanhar tudo sobre dado assunto. E nisso, ainda dependemos das coberturas, parciais e convenientemente suaves, diga-se de passagem, da Globo.

Você consegue explicar por que ainda dependemos da imprensa “consolidada”, se podemos ir direto às fontes, sem filtros? Não adianta olhar em volta, achando que povo são os outros. Você tem parte nessa atrofia informativa.

Ultimamente, o bom é ser idiota. Mas este “bom” não é válido, e dá base às palavras do parlamentar Paulo Duque, que disse que opinião pública não existe; quem faz isso é o jornal. Sou obrigada a desmentir o douto parlamentar suplente, porque eu tenho uma opinião a respeito.

E acho irônico o douto parlamentar dizer que não tenho opinião agora, mas na hora das eleições, ele vir ao sossego da minha casa, durante o horário eleitoral, e dizer que a minha opinião, aquela que eu não tenho porque só o jornal faz, é muito importante – e isso se tiver coragem, porque Paulo Duque é filiado ao único partido que conheço que NUNCA disputa eleição, mas SEMPRE tem cargo lotado. Alguém me explica como eu tenho no Senado do meu país um representante que sequer concorreu a qualquer coisa?

Eu preciso dessa explicação. Eu preciso entender como é que o PMDB praticamente me nomeia (e a você também) absolutamente incapaz toda vez que ocupa uma cadeira pública sem o devido concurso e ninguém faz nada. Nós não precisamos esperar a Comissão de Ética; nós podemos fazer algo contra o Sarney, e todos aqueles que usurpam a República. Nós podemos. Mas ficamos sentados esperando, assistindo, reclamando. Para quê? Nós podemos, porque não fazemos?

Sabe o que é pior, caro leitor? A gente deixa. A gente dá Ibope. A gente lê. A gente senta e assiste. A gente reclama, fala que vai fazer tudo e mais um pouco, e depois esquece. Isso só persiste porque a gente deixa.

Mas tudo bem. Não leia este post. Esqueça tudo que eu disse. Vá ser feliz com as fotos da Vanessa Hudgens (de novo). Vá ver o vídeo da garota revoltada com o requisito no concurso da Garota da Laje. Sente-se em sua sala espaçosa, assista a rápida reportagem da Globo sobre o recurso dos parlamentares petistas contra o arquivamento das denúncias por Paulo Duque. Reclame um pouco. Depois dê de ombros, e finja que nada disso é problema seu. Afinal de contas, povo são os outros.

Originalmente publicado no Link Ninja em 10 de agosto de 2009.