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World War Z: você está preparado?

Alô pessoas. Não sei como vocês vão, mas aqui no Hipnoseries ficou todo mundo assim com a volta às aulas:

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É complicado escrever em modo zumbi, gente. Muito complicado. Blogueiros zumbis, site igualzinho. E aqui estamos, porque a cura (para o Hipnoseries, pelo menos) surgiu. Bem propícia, aliás.

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Quem já viu esse filme? Eu vi essa semana. Ontem, aliás. Esperei bastante pra ver – por alguma razão cósmica, sempre espero a poeira baixar pra poder ver o filme, com exceção de filmes da Marvel (nerdice é isso). Esse aqui, coloquei na geladeira um pouco mais.

tumblr_mqeywnS0TM1s0xrqjo1_500Por quê? Porque por todo o material promocional, esse era “mais um filme de zumbi”. E sinceramente, pior que uma infestação de zumbis (vulgo faculdade), só uma infestação de filmes de zumbis. Não aguento mais ver os mortos andando e comendo cérebros no cinema, na TV, nos livros, nos comerciais e tudo mais que possa botar um zumbi andando. Estava um pouco (muito) saturada de zumbis.

Mas resolvi dar a World War Z uma chance. Não dá pra dizer “não” para Brad Pitt. Então… Geladeira, até acabar o frisson, pelo menos.  E depois de um dia como qualquer outro na faculdade, resolvi parar de estudar um pouco e… Ver o filme. Com um pé atrás, claro. Porque né? Mais um filme de zumbi, mortos andando, cemitérios à noite… Enfim, o kit Madrugada dos Mortos Vivos. Era isso que eu esperava.

Pois me enganei. Redondamente e quadradamente. World War Z é um filme de zumbis mais avant garde. Menos miolos, menos cemitérios, mais pânico, mais luta. Bem melhor que o monte de histeria zumbi que andam produzindo.

O filme foi refeito umas trocentas vezes. Ainda bem. Se era pra chegar nisso que vimos, fico feliz. É uma abordagem diferente. Estamos acostumados às massas zumbis se arrastando por aí, com o braço esticado, pedindo cérebro. World War Z pega conceitos zumbísticos de filmes como 28 Days Later e Contagion, e aprimora tudo isso. Então o zumbi não é desses “tolinhos”, que a gente tem tempo de sentar e tomar um café antes de atirar na coisa. Eles são predadores ferozes, e se você não prestar atenção, vai virar comida. Ou melhor, vai virar zumbi 12 segundos depois de virar comida.

Mas pra mim, a grande sacada do filme não foi “revolucionar” o zumbi: todo mundo já fez isso, de um jeito ou de outro. Foi apostar em humanos sendo humanos. Nada caricato. O “herói” da história é tudo, menos isso. É um cara normal, que se vira nos 30 conforme as coisas acontecem. As pessoas ao redor dele, idem. Ninguém sabe bem o que fazer, e tentam sobreviver como dá. O normal desses filmes é ter o cowboy do apocalipse zumbi, o pateta adolescente, a criancinha inocente, o cara burro feito porta… Aqui, não. Aqui você pode não saber usar uma espingarda, mas a sua esposa fez curso de defesa pessoal. Aqui, os soldados são valentões, mas as mulheres do Mossad duram mais. É arte imitando vida. A gente se enxerga em Gerry Lane e em cada um dos seres que ele encontra pelo caminho. O filme tem 2 horas. Não parece. As coisas acontecem rápido.

“A Natureza é uma serial killer. Ninguém é melhor ou mais criativo. Como todos os serial killers, ela não pode evitar de querer ser pega. De que adianta cometer tantos crimes brilhantes sem levar o crédito? Então, ela deixa migalhas. A parte mais difícil é enxergar essas migalhas. Às vezes, o aspecto mais brutal de um vírus acaba por ser uma brecha na armadura. E ela ama disfarçar suas fraquezas como forças.”

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Essa rapidez do filme é o que dá mais tensão. Você, que está lendo: já bateu o carro? Já foi assaltado? Lembra como foi? Pois é, as coisas estavam bem até mudarem. Você piscou e BAM!, desastre. O que segue é tensão, medo, confusão. O filme corre assim. Passei duas horas em senso extremo de alerta. Lendo alguns reviews, percebi que não estou sozinha nessa. As situações a que somos expostos no filme “brincam” muito com isso: tudo que você vê na tela, você já viu, em algum momento, da janela da sua casa. Tudo, menos os zumbis. Dá um certo frio na espinha pensar que um dia, talvez… Eles estejam na sua janela. Você é bem treinado, tem o guia de sobrevivência ao ataque zumbi na cabeceira da cama. Mas se chegar a sua hora, as coisas serão bem diferentes do manual…

Outra coisa legal: alguma cenas dão nojo. Outras te fazem sentir dor. Tem todos os elementos de terror na cena: mas nada gráfico. Pouco sangue, e pouco gore. Quase nada. É a movimentação das câmeras que te insere no filme – e aquela cena sugerida te parece real, porque ela vem pra sua perspectiva. Você acaba sentindo aquilo que está vendo. Gostei bastante disso. Acho que Marc Foster acertou a mão nessa parte. Em vez de apelar pra sangue e partes de corpos, ele apelou para a perspectiva do espectador. Ficou muito mais realista, e até mais gráfico, desse jeito. Se você já viu o filme, sentiu na pele – e na mão – esse terror. Ah, sim… Brad Pitt continua lindo. E continua sendo um ótimo ator. Se a mão do diretor foi boa, a performance dele foi essencial.

Para um filme como World War Z, até que falei demais. É o tipo de coisa que a gente precisa ver (no cinema, na TV, em qualquer lugar, MENOS ao vivo) pra crer. Eu estava cansada de filmes de zumbi. Esse filme revigorou meu fôlego para o gênero. Dou uma nota 9 sólida e já fico ansiosa para a continuação.

Lekkerding 237 posts

Cúspide e Gêmeos e Câncer. Corinthiana não praticante. Indie até os ossos. Advogada. Blogueira. Eterna estudante. Jogadora de handebol e de rugby, aposentada compulsoriamente. Fã de cerveja, de um bom papo, da internets e da (boa) política. Amante de David Bowie e de Florence & the Machine. Chata. Sem mais.

"Quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar das alturas, um ar forte. É preciso ser feito pra ele, senão há o perigo nada pequeno de se resfriar. O gelo está próximo, a solidão é monstruosa (...) Quanta verdade suporta, quanta verdade ousa um espírito? Cada vez mais tornou-se isto pra mim a verdadeira medida de valor. Erro não é cegueira, erro é covardia... Cada conquista, cada passo adiante no conhecimento é consequência da coragem, da dureza consigo, da limpeza consigo... Eu não refuto os ideais, apenas ponho luvas diante deles... Lançamo-nos ao proibido: com este signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora proibiu-se sempre, em princípio, somente a verdade."

Friedrich Nietzsche

Porque toda semana - lembrem-se, minhas semanas são relativas - deixarei algo bacana pra vocês verem/ouvirem. Espero que gostem das escolhas.